terça-feira, 7, julho , 2026 05:33

Como a fronteira entre Venezuela e Brasil virou rota do narcotráfico

“Venezuela e Brasil fazem fronteira com os únicos produtores mundiais de folha de coca – matéria-prima da cocaína –, que são Colômbia, Peru e Bolívia”, detalha a pesquisadora.

Segundo ela, os narcotraficantes baseiam suas rotas mais no risco do que no custo econômico. “Em muitos casos, escolhem rotas mais longas ou caras, mas mais seguras. Isso pode explicar por que a cocaína produzida na Colômbia passa pela Venezuela e, de lá, segue para o Brasil, formando um tipo de triângulo”, diz Sampó.

“E, se somarmos a isso o fato de que, do lado venezuelano, há um regime não democrático, com sérias acusações contra as mais altas esferas do poder por suposto envolvimento no narcotráfico, torna-se mais fácil para as organizações criminosas moverem grande parte de sua produção através da Venezuela e, de lá, enviá-la aos mercados consumidores”, defende Sampó.

A relevância do rio Amazonas

“A fronteira entre Venezuela e Brasil é uma das mais importantes dentro da geopolítica do narcotráfico na Amazônia”, afirma Alan Ferreira, da UFPB, que realiza pesquisas de campo na região.

“Do lado brasileiro, opera o Primeiro Comando da Capital (PCC), do lado venezuelano, o Tren de Aragua, uma organização criminosa que tem ganhado muita influência”, explica.

noticia por : UOL