O desemprego está em baixos 6,6% e o emprego com carteira (ou seja, com direitos) é recorde, a economia cresceu cerca de 3,5% no ano passado e a alta deste ano está sendo revisada para cima, a renda dos trabalhadores subiu 3,2% em um ano. Mas o impacto de tudo isso se dilui diante da percepção de aumento no custo de vida representado pela alta dos alimentos. Caso tivesse que escolher entre um pequeno aumento no rendimento médio e deflação dos alimentos, a classe trabalhadora optaria pelo segundo.
Eventos climáticos extremos afetaram a produção nos últimos dois anos no Brasil, encarecendo a comida. Das lavouras no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, passando pela produção agropecuária no Pantanal e extrativista na Amazônia Legal até o interior de São Paulo, as secas e as chuvas elevaram preços.
O governo Lula vem fazendo questão de destacar isso, mas do ponto de vista dos consumidores, quando os alimentos sobem não importa se a culpa foi do clima, de Satanás ou do Godzilla, a responsabilidade final será do governo federal. Ou, mais especificamente, da falta de medidas em quantidade e impacto suficientes para mitigar a disparada dos preços. Aceita-se sazonalidade, o que não se admite é a comida com preço que inexoravelmente sobe.
Quem acompanha esta coluna já leu isso aqui. Há dois anos, aponto o preço do arroz e do feijão, mas também da picanha e da cerveja, como um elemento decisivo nas pretensões de Lula de se reeleger ou construir um sucessor em 2026.
O fato é que a mudança do clima pode ter para o governo Lula o mesmo impacto que teve o coronavírus no governo Bolsonaro, como disse aqui um rosário de vezes também. Não foi o ex-presidente quem criou a covid-19, mas ele lidou com ela da pior maneira possível. Mortes aconteceriam, o tamanho da tragédia é a questão.
Mas, mesmo com 700 mil mortos nas costas, Bolsonaro quase venceu a eleição, tendo 1,9 milhão de votos a menos – um peido do ponto de vista eleitoral.
noticia por : UOL



