terça-feira, 11, agosto , 2026 02:18

Docentes negros da USP dizem que política de cotas da universidade é 'inócua'

O Coletivo de Docentes Negras e Negros da USP classificou como inócua a política de cotas adotada pela universidade para aumentar a presença de pessoas pretas, pardas e indígenas no corpo de professores.

O grupo divulgou uma nota pública nesta segunda (4). O documento veio à tona após uma ação movida pela Defensoria Pública de São Paulo questionar a baixa efetividade da Resolução nº 8434/2023. A norma interna estabelece diretrizes para ações afirmativas nos concursos da universidade.

A ação é embasada por uma análise técnica feita pela Rede Liberdade e pela Ação Educativa, adiantada pela coluna, que mostra que a proporção de docentes negros passou de 2,64% para 3,96% entre 2022 e 2025. Já a presença indígena permanece estagnada: 4 de 5.000 docentes da instituição.

Para o coletivo, os resultados são consequência de um modelo que ignora a estrutura do racismo institucional na USP e falha em alterar os mecanismos de seleção. “A normativa é inócua, pois estabelece uma bonificação para concursos com menos de três vagas —caso da maioria— nos quais a escolha se dá por indicação da banca, não pela nota”, afirmam.

Eles apontam que as provas, por não serem anônimas, abrem margem para vieses racistas e criticam a ausência de metas e prazos para equilibrar a composição racial do quadro com a da população paulista, que hoje é formada por 40% de pessoas negras.

O grupo também critica a postura da reitoria, que defende a eficácia da resolução com base no número absoluto de contratações de docentes PPI (pretos, pardos e indígenas): 84 de um total de 702 entre 2022 e 2024, segundo dados da própria USP.

“Essas vagas só voltarão a concurso daqui a 20 ou 30 anos. A oportunidade foi perdida”, afirma o coletivo.

Em vez do atual modelo, os docentes propõem a reserva de 30% das vagas —em linha com a nova Lei de Cotas—, metas com prazos para cada faculdade e prioridade na contratação de candidatos negros e indígenas.

“É o direito da população PPI de participar dos espaços de poder da sociedade paulista e brasileira —espaços que são seus”, concluem.

Procurada desde sexta (1º), a USP não respondeu até a publicação deste texto.


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noticia por : UOL