quarta-feira, 19, agosto , 2026 10:54

Intercepção de Israel a flotilha é ilegal e imoral

As forças israelenses interceptaram nesta quarta-feira (1º) cerca de 40 barcos de ajuda humanitária que compõem a flotilha que seguia rumo à Faixa de Gaza. Com a ironia que lhe é peculiar, a conta oficial do Ministério de Relações Exteriores de Israel afirmou nas redes sociais que “Greta e seus amigos estão são e salvos” – em referência à ativista sueca Greta Thunberg, a bordo de uma das embarcações. Israel age de maneira ilegal e imoral.

Em um fôlego: a interceptação à flotilha humanitária à Gaza é ilegal, porque o genocídio pela fome e pela bomba são ilegais, porque impedir a navegação e o direito de passagem é ilegal, porque o bloqueio marítimo de Israel a Gaza efetivo desde 2009 ao subjugar o território à condição de prisão a céu aberto é ilegal, porque a ocupação israelense sem fim por meio do controle de Gaza é ilegal, porque a supressão dolosa da autodeterminação palestina é ilegal.

É preciso olhar o histórico de iniciativas contra o bloqueio marítimo de Gaza. Israel justifica por anos o bloqueio marítimo por segurança nacional desde a ascensão de Hamas em Gaza. Pelo direito internacional, no entanto, bloqueios marítimos devam ser temporários, com fins militares específicos e proporcionais, ou seja, não devem causar sofrimento desnecessário à população civil. Isto é tudo o contrário do que faz Israel: há quase vinte anos, o bloqueio marítimo de Israel em Gaza tem como principal efeito matar palestinos de fome e de doenças.

Em maio de 2010, uma outra flotilha de seis embarcações com 700 ativistas de 50 países tentou furar o bloqueio ilegal de Israel levando ajuda humanitária a gaza. A intercepção israelense matou cerca de 10 pessoas, e foi condenada internacionalmente. O incidente levou a um debate, à época, entre o Secretariado-Geral da ONU e o Conselho de Direitos Humanos sobre a legalidade ou não do bloqueio; debate esse superado passados 15 anos de bloqueio marítimo e um genocídio no meio.

Nada há na lei internacional que justifique ainda Israel zombar da ajuda humanitária enquanto executa 65 mil palestinas e deixa morrer a esperança de retorno de reféns israelenses.


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noticia por : UOL