quarta-feira, 11, março , 2026 12:35

Alex Allard tentou negócio com Epstein envolvendo o luxuoso Royal Monceau por 12 milhões de euro

O empresário francês Alexandre Allard, idealizador do Cidade Matarazzo, em São Paulo, aparece nas trocas de emails com o criminoso sexual Jeffrey Epstein reveladas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Conforme os arquivos, Allard teve poucas conversas diretamente com Epstein e intermediários, tentando marcar encontros para falar de negócios.

Segundo os arquivos, Allard chegou a se encontrar com Epstein em Paris. Depois disso, os dois tentaram um encontro em Nova York, em uma das idas do empresário francês à cidade americana. Acabaram, porém, apenas se falando por Skype e o segundo encontro, conforme os emails, acabou não se concretizando.

Consultado, o advogado de Allard, Leandro Chiarottino, disse que o empresário francês teve apenas conversas preliminares e superficiais sobre negócios imobiliários.

Os documentos mostram que Allard foi apresentado ao criminoso sexual pelo empresário David Stern, que comandou a NBA (National Basketball Association) por 30 anos e transformou a liga esportiva.

Em um email de 2016, Stern encaminhou a Epstein uma mensagem de Allard em que ele apresenta fotos de seu apartamento no luxuoso hotel Royal Monceau, em Paris (França), um clássico localizado ao lado do Arco do Triunfo e que foi recriado em 2010 pelo empresário francês ao lado do arquiteto Philippe Starck.

A proposta de venda do espaço foi de 12 milhões de euros (valor com desconto, segundo Allard), com a opção de o empresário recomprá-lo em quatro anos por 14 milhões de euro.

Alto luxo

Segundo descrição do próprio Allard no email, na ocasião, o apartamento era o único privado em um hotel luxuoso em Paris. Tratava-se de um duplex com três quartos, totalizando 380 metros quadrados, dois terraços com jardim e uma cozinha com terraço de 110 m², além de um estúdio de 40 m² com banheiro.

Possuía elevador privativo que levava diretamente a uma piscina de 25 metros, à academia e ao spa, segurança 24 horas, acesso privativo ao lobby e acesso principal pelo lobby do hotel.

O email mostra ainda que, assim como todo o restante do hotel, projetado por Philippe Starck, o local era mobiliado, à época, com painéis de madeira e acabamento espelhado. “Cinco dos mais importantes artistas contemporâneos criaram instalações específicas para decorar o espaço. O teto suspenso na sala de estar tem 7 metros de altura”, descreveu Allard.

Conforme consta na mensagem, o interesse na venda aconteceu porque a companhia de Allard que era proprietária do apartamento estava com uma dívida de 7 milhões de euros.

Por isso, a condição para a venda, conforme tinha sido acertado com o banco, é de que o novo proprietário deveria arcar com 5 milhões de euros da dívida. Em contrapartida, o imposto sobre a compra seria limitada a 200 mil euros (a taxa cheia desse tipo de transação seria de 3 milhões de euros).

“O comprador terá uso gratuito e ilimitado do imóvel durante todo o período de propriedade. Portanto, o investidor poderá recuperar 7 milhões de euros de um investimento de 5 milhões de euros em 48 meses ou, caso contrário, obter um grande lucro com a valorização do apartamento em 2020”, disse Allard no email.

Quando encaminhou a mensagem de Allard a Epstein, David Stern pediu para o criminoso sexual dar uma olhada na proposta e descreveu o empresário como “bom amigo francês, maluco, apaixonado por arte e beleza, com sérios problemas financeiros (impostos)”.

Na resposta, Epstein pediu mais fotos com detalhes do apartamento, informações sobre cobranças mensais e os juros do empréstimo de 7 milhões de euros.

Segundo o advogado de Allard, o negócio acabou não indo para frente. “A troca de emails citada se refere à prospecção de investimentos iniciais e não resultou em nada”, afirmou em nota.

“Ao longo de mais de 35 anos de atuação empresarial, Allard teve contato com literalmente milhares de potenciais investidores e empresários no mundo todo, a maior parte em avaliações exploratórias de negócios”, completou.

Briga societária

Allard tem no Brasil uma disputa judicial com seus sócios chineses, a CTF (Chow Tai Fook Enterprises), na BM Empreendimentos, controladora do hotel seis estrelas Rosewood, localizado no complexo Cidade Matarazzo.

Allard, que possui hoje 20% do empreendimento após ser diluído pelos sócios, já acusou a CTF até de espionagem, foi afastado do conselho de administração e proibido de usufruir dos serviços do hotel por uma dívida de R$ 2 milhões com o restaurante, lavanderia e spa.

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noticia por : UOL