domingo, 8, março , 2026 02:05

Polícia aponta falhas e indicia 5 pessoas por incêndio em shopping no Rio

Cinco pessoas foram indiciadas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro pelo incêndio no subsolo do Shopping Tijuca, na zona norte da capital fluminense, em janeiro deste ano.

O incêndio causou as mortes do supervisor de segurança Anderson Aguiar do Prado e da brigadista Emellyn Silva Aguiar Menezes. Os dois atuaram no combate às chamas.

A investigação, concluída por policiais da 19ª Delegacia de Polícia, apontou falhas de gestão, demora na comunicação ao Corpo de Bombeiros e erros nos protocolos de segurança.

Dois funcionários do shopping foram indiciados por incêndio doloso qualificado pelas mortes, lesão corporal, crime de perigo para a vida ou saúde de terceiros e fraude processual. Uma terceira vai responder pelos mesmos delitos, exceto a fraude processual.

Além disso, dois funcionários de uma loja onde o incêndio começou foram indiciados por incêndio doloso e lesão corporal.

As investigações e as perícias apontaram uma sequência de falhas que teriam provocado as mortes das duas vítimas. Outras quatro pessoas ficaram feridas.

A polícia aponta problemas na comunicação após o início do fogo, ausência de alarmes eficazes, evacuação desorganizada, treinamento insuficiente e demora na transmissão de informações precisas sobre o incêndio.

A conclusão do inquérito diz ainda que a loja onde o fogo começou não possuía alvará do Corpo de Bombeiros e o shopping não tinha sistema de exaustão adequado para o controle da fumaça.

Segundo a polícia, apesar do botão de pânico ter sido pressionado às 18h04, os bombeiros foram chamados apenas às 18h27. As equipes chegaram ao shopping às 18h40.

“O laudo técnico concluiu que o incêndio teve origem elétrica previsível, em ambiente inadequado do ponto de vista técnico, sendo agravado por falhas estruturais e de segurança”, diz a polícia.

Instalações elétricas em desacordo com normas técnicas, elevada carga de incêndio, falhas de compartimentação, atuação insuficiente dos sistemas de combate e ausência de controle eficiente de fumaça são falhas apontadas no relatório da investigação.

Segundo os peritos, todos esses fatores contribuíram diretamente para a gravidade do incêndio e propagação rápida das chamas.

A polícia concluiu também que responsáveis pelo shopping permitiram a entrada de pessoas em área interditada, além da retirada de item importante para a investigação, o que caracteriza fraude processual.

Foram ouvidos os depoimentos de 38 pessoas.

Em nota, a direção do shopping afirmou que agiu dentro dos protocolos previstos e retirou as pessoas de acordo com plano elaborado por uma empresa especializada e aprovado pelo Corpo de Bombeiros.

O estabelecimento lembra que sete mil pessoas deixaram o local sem ferimentos e define como irreparável a perda dos dois funcionários.

noticia por : UOL