segunda-feira, 9, março , 2026 01:34

Dallagnol vai a Brasília protocolar impeachment de Moraes


O ex-deputado federal Deltan Dallagnol e o advogado Jeffrey Chiquini viajaram a Brasília na manhã desta segunda-feira, 9 de março, para protocolar um novo pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo os autores, a iniciativa traz fundamentos jurídicos inéditos em relação às representações anteriores.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Chiquini afirmou que o pedido se baseia em novos elementos obtidos no âmbito das investigações da Polícia Federal. “Agora há provas cautelares, há perícias da Polícia Federal. Então o fundamento jurídico é novo, com indícios claríssimos de corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça”, declarou .

Dallagnol complementou que o documento não se refere apenas a supostos abusos de autoridade, mas a possíveis crimes. “Agora vai muito além de abusos, agora estamos falando de crimes como indícios de corrupção, de obstrução de investigação, de organização criminosa”, afirmou.

Nas redes sociais, ele também comentou:  “O motivo é simples: ninguém está acima da lei. Moraes precisa ser investigado e dar explicações sérias sobre seu envolvimento nos escândalos ligados ao Banco Master. Mensagens reveladas levantam dúvidas graves sobre contatos, contratos milionários e possível interferência em investigações.”

Contrato entre escritório da esposa de Moraes e Banco Master

O pedido de impeachment menciona questionamentos relativos ao contrato firmado entre o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e o Banco Master, instituição do banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente preso no âmbito da Operação Compliance Zero .

De acordo com investigações da Polícia Federal, o contrato previa remuneração mensal de R$ 3,6 milhões ao escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, totalizando aproximadamente R$ 129 milhões ao longo de 36 meses, entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, quando o banco foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central .

Dallagnol questionou a natureza da contraprestação: “A questão é: qual foi a contraprestação desse contrato? R$ 129 milhões, está escancarado”, disse, acrescentando que haveria também indícios de interferência em investigações .

Esclarecimentos do escritório de Viviane Barci

Na mesma data, o escritório de Viviane Barci divulgou uma nota pública detalhando os serviços prestados ao Banco Master. Segundo o comunicado, a contratação envolveu uma equipe de 15 advogados e a coordenação de outros três escritórios especializados em consultoria .

O documento informa que, ao longo da vigência do contrato, foram realizadas 94 reuniões de trabalho, sendo 79 presenciais na sede do banco, além da produção de 36 pareceres e opiniões legais sobre temas como aspectos previdenciários, contratuais, trabalhistas, regulatórios, compliance, proteção de dados e crédito .

A nota enfatiza que o escritório “nunca conduziu nenhuma causa para o Banco Master no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF)” e que os serviços prestados limitaram-se a consultoria e atuação jurídica em outras esferas .

Contexto das investigações

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso na última quarta-feira (4) em São Paulo durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga a “possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa” .

A prisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, que assumiu a relatoria do caso no mês passado. Vorcaro já havia sido preso em novembro de 2025 ao tentar embarcar para a Europa em um avião particular, sendo transferido posteriormente para a Penitenciária Federal de Brasília .

As investigações revelaram que Vorcaro mantinha uma estrutura paralela apelidada de “A Turma”, utilizada para monitorar desafetos, obter informações sigilosas e planejar ações de intimidação contra críticos do esquema .

Mensagens atribuídas a Moraes

Na sexta-feira (6), reportagem do blog da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, trouxe prints de mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro enviadas ao número de celular do ministro Alexandre de Moraes no dia 17 de novembro de 2025, horas antes da primeira prisão do banqueiro .

Em nota, a comunicação do STF divulgou que o ministro nega ter sido o destinatário das mensagens. Moraes também afirmou desconhecer o teor das comunicações, que teriam sido enviadas em formato de visualização única, que apaga o conteúdo após a leitura .

Manifestação da defesa de Vorcaro

A defesa de Daniel Vorcaro informou que “solicitou ao Supremo Tribunal Federal a instauração de investigação para apurar a origem dos sucessivos vazamentos de informações sigilosas provenientes dos telefones celulares apreendidos no curso da investigação” .

Os advogados também manifestaram “surpresa e indignação” com a divulgação de fotos do banqueiro dentro da unidade prisional, afirmando que “parece não haver limites para o vazamento de informações com o objetivo de expor, desgastar e humilhar o cliente” .

Até o momento, o STF não se manifestou oficialmente sobre o novo pedido de impeachment protocolado por Dallagnol e Chiquini.





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