terça-feira, 10, março , 2026 02:17

Na Assembleia Geral, mulheres unem-se em uma só voz contra injustiças e retrocessos

A celebração das Nações Unidas do Dia Internacional da Mulher de 2026 aconteceu, nesta segunda-feira, com a presença de lideranças da ONU, da atriz  Anne Hathaway, da cantora Michelle Willians e da ativista Malala Yousafzai. 

A cerimônia contou ainda com uma mensagem do secretário-geral da ONU, transmitida pelo chefe de gabinete, Courtenay Rattray.

Práticas discriminatórias

Ele afirmou que o progresso em igualdade de gênero visto nas últimas décadas foi forjado pela determinação, resiliência e criatividade de “mulheres corajosas que se recusaram a aceitar as barreiras que encontraram”.

Rattray enfatizou que o acesso à justiça continua “profundamente desigual” e que leis discriminatórias estão afetando mulheres e meninas em contextos onde ainda prevalece o preconceito, o silêncio e a impunidade.

Avanços necessários

Já a presidente da Assembleia Geral da ONU, Annalena Baerbock, lembrou que, em todas as partes do mundo, quando as meninas vão à escola, as economias crescem. 

Ela adicionou que quando mulheres fazem parte da força de trabalho a produtividade aumenta, quando participam em acordos de paz eles duram mais tempo e quando lideram instituições elas se tornam mais resilientes. 

Baerbock enfatizou que os direitos das mulheres fazem parta do DNA da ONU desde sua fundação e que marcar o Dia Internacional significa não parar de lutar por direitos iguais.

Baerbock acredita que a luta não vai parar até que haja igualdade salarial e de representação política, até que as mulheres no Afeganistão sejam livres e até que haja justiça para sobreviventes de abuso sexual, seja em casa ou como parte de redes de exploração e escravidão sexual, como exposto nos Arquivos Epstein. 

Annalena Baerbock falando no pódio durante a celebração do Dia Internacional da Mulher 2026 na sede da ONU.

A presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock, fala no Salão da Assembleia Geral das Nações Unidas durante a celebração

Mundo que espera o silêncio

Ao subir no pódio da Assembleia Geral da ONU, a atriz norte-americana Anne Hathaway disse que o mundo vive um “momento estranho e espinhoso”, onde a promessa de igualdade de gênero ainda parece distante da realidade para muitas mulheres e meninas.

A também embaixadora da Boa Vontade da ONU Mulheres homenageou figuras que se manifestaram contra a violência e a injustiça, citando nomes como Malala Yousafzai e sobreviventes que exigiram responsabilização apesar do custo pessoal.

“Celebramos a coragem e o poder das mulheres que não se deixaram negar a justiça porque escolheram a ação em um mundo que espera o silêncio”, disse ela.

Ao concluir sua fala, Anne Hathaway disse que celebrar o Dia Internacional da Mulher não significa ignorar a injustiça, mas sim reafirmar o compromisso com a mudança.

Malala afirma que justiça não pode ser seletiva

Ao discursar na cerimônia, a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, Malala Yousafzai, declarou estar com “o coração partido” porque nunca viu tantas crianças sofrendo com guerras e violência como nos dias de hoje. 

Ela afirmou que o sofrimento das famílias afetadas por conflitos e violência em locais como o Irã e Gaza a deixaram profundamente perturbada. 

A também ativista paquistanesa afirmou que “a verdadeira justiça não defende a humanidade das crianças em um lugar e a ignora em outro”. Ela enfatizou que a justiça não pode ser seletiva nem dependente do local onde uma pessoa nasceu. 

Malala Yousafzai falando em um pódio com o emblema da ONU durante a celebração do Dia Internacional da Mulher 2026 na sede da ONU.

A Prêmio Nobel da Paz, Malala Yousafzai, dirige-se ao Salão da Assembleia Geral da ONU durante a cerimônia do Dia Internacional da Mulher de 2026

Malala Yousafzai condenou as restrições impostas a mulheres e meninas no Afeganistão desde o retorno do Talibã ao poder em 2021.

Ela explicou que meninas são proibidas de frequentar o ensino médio e a universidade, enquanto mulheres enfrentam amplas limitações ao trabalho, à liberdade de movimento e à participação na vida pública. As mulheres não podem praticar esportes, cantar, fazer poesia e os homens são amparados pela lei quando batem em suas esposas ou filhas. 

De acordo com Malala, “isso não é cultura, nem religião, é um sistema de segregação e dominação”. Ela fez um apelo para que a comunidade internacional reconheça a situação como “apartheid de gênero”.

Resistindo a novos ataques

A diretora executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous, afirmou que o Dia Internacional da Mulher homenageia gerações de mulheres cuja coragem e determinação promoveram a igualdade de gênero em todo o mundo.

Ela alertou para uma nova onda de ataques contra os direitos das mulheres, que se espalha por comunidades e pelo ambiente online de forma “violenta e adaptável”. 

Para todas as mulheres presentes, ela disse que esse retrocesso não pode fazê-las recuar e que é preciso “redobrar os esforços e se erguer ainda mais” para defender as conquistas dos movimentos feministas do passado e do presente.

A comemoração do Dia Internacional da Mulher das Nações Unidas também contou com um momento musical, com a apresentação da cantora Michelle Williams, vencedora do Grammy e artista da Broadway.

Ao interpretar “We Are Fearless”, ela prestou homenagem à força e à resiliência de mulheres e meninas em todo o mundo.

*Felipe de Carvalho é redator da ONU News.

FONTE : News.UN