Um grupo de feministas provocou danos à Igreja de São Francisco de Assis, localizada no centro histórico da cidade de Querétaro, no México, durante as mobilizações do Dia Internacional da Mulher realizadas no último sábado (8). De acordo com relatos, parte dos participantes do ato incendiou a porta principal do templo e deixou pichações em suas paredes externas .
A igreja, considerada um dos marcos arquitetônicos e religiosos da região central da cidade, havia sido isolada com barreiras de proteção antes da manifestação como medida preventiva.
Apesar do cercamento, um grupo de feministas conseguiu romper as grades e atingir a entrada do edifício, onde ateou fogo na estrutura de madeira. Além do templo, outras áreas do centro histórico foram alvo de ações do mesmo grupo, incluindo o reservatório de água da cidade, que amanheceu com grafites .
A marcha reuniu cerca de 30 mil pessoas nas ruas de Querétaro, segundo estimativas iniciais, em um dos vários atos realizados no país em memória da data e em protesto contra a violência de gênero e os altos índices de feminicídio.
Apesar da dimensão do protesto e dos danos materiais, as autoridades locais reportaram um “saldo branco”, indicando que não houve feridos graves ou confrontos generalizados com a polícia .
Repercussão e contexto nacional
O incidente em Querétaro não foi isolado. Em outras cidades mexicanas, manifestações do 8 de março também registraram atos de vandalismo contra edifícios religiosos. Em San Luis Potosí, a porta da Igreja de La Compañía foi incendiada, e em Oaxaca, houve uma tentativa de incendiar a porta da Catedral de Nossa Senhora da Assunção .
Em resposta aos ataques, a Conferência do Episcopado Mexicano (CEM) emitiu um comunicado no qual reafirmou seu compromisso de acompanhar as mulheres que sofrem violência, mas lamentou que algumas pessoas tenham se aproveitado das manifestações para atacar e danificar prédios religiosos .
“Os templos são lugares de oração, encontro e consolo para milhares de pessoas, especialmente para aquelas que buscam consolo espiritual após terem sofrido injustiças. Por isso, consideramos grave a violência manifestada contra esses locais de esperança e paz, pois a violência nunca será o caminho para a paz”, declarou a CEM .
Em Querétaro, grupos de católicos chegaram a se reunir em frente à igreja para protegê-la durante a marcha.
Após os ataques das feministas, foi celebrada uma missa em ato de reparação . O coordenador de campanhas da plataforma mexicana Actívate, Uriel Esqueda, lamentou o que chamou de “ódio sistemático” contra as igrejas durante essas manifestações e defendeu que a cristianofobia seja catalogada na legislação do país.


