O engenheiro Paulo Duarte desenvolveu uma estratégia inovadora que pode reduzir de três para apenas uma as cirurgias necessárias para tratar malformações cardíacas graves em recém-nascidos. O projeto utiliza bioengenharia e será apresentado em Harvard e no MIT no final de março de 2026.
O que motivou a criação dessa nova técnica cirúrgica?
A ideia surgiu do desespero e da vivência pessoal do engenheiro civil Paulo Duarte. Seu filho, Paulinho, nasceu com uma cardiopatia grave e precisou passar por três cirurgias complexas e sofrer paradas cardíacas. Ao ver o sofrimento do filho, Duarte decidiu estudar bioengenharia médica para encontrar uma forma de reduzir o número de intervenções e tornar o tratamento definitivo em apenas uma operação.
Como funciona o enxerto artificial criado pelo engenheiro?
Duarte desenvolveu um enxerto feito com materiais que se integram aos vasos sanguíneos e têm a capacidade de “crescer” junto com o corpo da criança. Diferente das próteses atuais, que ficam pequenas conforme o bebê se desenvolve, essa tecnologia evita que o peito do paciente precise ser aberto novamente para trocas, acompanhando o desenvolvimento natural do coração.
Para que serve a válvula de fluxo controlável?
Essa válvula permite que os médicos ajustem a quantidade de sangue que vai para os pulmões de forma ambulatorial, sem nova cirurgia. Atualmente, o processo é feito em estágios que sobrecarregam o coração. Com o novo modelo, o ajuste é feito por fios sob a pele, garantindo uma adaptação gradual e muito menos agressiva para o sistema circulatório do bebê.
Como a tecnologia da Fórmula 1 ajudou no projeto?
O engenheiro utilizou softwares de simulação 3D idênticos aos usados por equipes de Fórmula 1 e pela Embraer. Essas ferramentas permitiram testar virtualmente como o sangue se comporta dentro do coração com a nova válvula e o enxerto. Os testes mostraram transições suaves de fluxo e confirmaram que a técnica não sobrecarrega o ventrículo funcional do coração.
Quando a técnica começará a ser usada em humanos?
Ainda não há um prazo definido. O projeto está em fase de testes com animais (suínos), que possuem anatomia cardíaca e ritmo de crescimento parecidos com os humanos. Após a conclusão dessa etapa e a apresentação dos resultados nos Estados Unidos, a pesquisa será submetida à Anvisa para autorização de testes em pessoas.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
noticia por : Gazeta do Povo


