domingo, 15, março , 2026 04:31

Navio histórico tomba no porto de Santos e será retirado do local

O navio histórico Professor W. Besnard, pioneiro nas pesquisas oceanográficas brasileiras, tombou no porto de Santos, na região do Parque Valongo, no centro histórico da cidade litorânea paulista, e será retirado do local para ser levado para um estaleiro.

“Se houver condições, queremos recuperar esse navio com o apoio das empresas parceiras do porto de Santos”, disse neste sábado (14) o advogado Anderson Pomini, diretor-presidente da Autoridade Portuária de Santos.

Segundo ele, caso a recuperação não seja possível, parte da embarcação será preservada como bem histórico no Parque Valongo.

O tombamento do navio inativo ocorreu na noite de sexta-feira (13), devido ao acúmulo de água em seu interior. Metade da embarcação ficou submersa e é vigiada pela Guarda Portuária. Ninguém ficou ferido.

O navio está sob a responsabilidade do Imar (Instituto do Mar), uma organização não-governamental, e ocupa um espaço cedido pelo porto de Santos, com promessas de restauração. A Folha entrou em contato com a ONG por email, mas não obteve resposta.

Em nota, a Autoridade Portuária de Santos informou que está atenta à embarcação adernada e garantiu que ela não representa riscos à navegação no canal do porto.

Uma equipe de emergência reforçou a amarração e providenciou um cerco de contenção ambiental.

Com 49,3 metros, o navio foi fabricado na Noruega e entregue ao Brasil em 1967. Durante quatro décadas foi utilizado por alunos e professores do Instituto Oceanográfico da USP (Universidade de São Paulo) em suas pesquisas.

A embarcação foi batizada em homenagem ao cientista russo-francês Wladimir Besnard, um dos criadores do antigo Instituto Paulista de Oceanografia, incorporado à USP na década de 1950. Participou da primeira expedição brasileira à Antártida, na década de 1980, e navegou mais de três mil milhas em viagens científicas. Seis delas foram para a Antártida.

Após um incêndio em 2008, quando estava na baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, o navio foi transferido para Santos e, em 2016, a USP o cedeu ao município de Ilhabela.

Em julho de 2023, após uma determinação judicial para que fosse desmontado por não ter mais condições de navegar, um acordo transferiu a propriedade da embarcação para o Instituto do Mar.

No mesmo ano, a Folha mostrou o abandono do navio, inclusive com a parte interna ocupada por entulhos, restos de móveis e colchões.

Em julho de 2024, a Prefeitura de Santos informou que a embarcação “renasceria” como um museu, com o trabalho de um grupo de voluntários.

noticia por : UOL