segunda-feira, 16, março , 2026 05:52

Flávio Bolsonaro sofre menos ataques no WhatsApp

Flávio Bolsonaro vem crescendo nas pesquisas eleitorais e hoje empata ou supera Lula em diversas simulações de segundo turno. Uma hipótese que vem sendo ventilada sobre esse crescimento rápido é a de que o senador ainda não enfrentou o nível de hostilidade que normalmente acompanha quem lidera uma corrida presidencial.

Para verificar se de fato existe um cessar-fogo narrativo contra Flávio Bolsonaro, a Palver analisou o sentimento em torno do senador, do ex-presidente Jair Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em mais de 100 mil grupos públicos de WhatsApp nas últimas três semanas.

Num primeiro momento foram isoladas as mensagens que mencionam exclusivamente cada nome, excluindo menções de mais de uma figura na mesma mensagem. Nesse recorte, Flávio apresenta o melhor saldo dos três. Das mensagens com posicionamento definido sobre o senador, 56% são positivas e 44% negativas. Jair Bolsonaro aparece num equilíbrio quase perfeito, com metade positiva e metade negativa. Tarcísio de Freitas registra 40% de mensagens positivas frente a 60% negativas.

Uma análise subsequente examina a intersecção entre os três nomes, ou seja, quando mais de uma figura é mencionada no mesmo contexto. Flávio consegue absorver uma parcela expressiva do apoio que circula em torno do pai. Do total de menções positivas a Jair Bolsonaro, quase 12% incluem o filho, enquanto apenas 1,3% dessas mensagens incluem Tarcísio, o que já seria esperado dado o vínculo familiar e a pré-candidatura declarada.

Mas na direção oposta, a hostilidade ao ex-presidente não se transfere na mesma proporção ao pré-candidato. Cerca de 33% das menções negativas a Flávio estão associadas ao pai, proporção menor do que os 41% observados no caso de Tarcísio. Isso significa que o governador de São Paulo, paradoxalmente, é mais associado às menções negativas de Jair do que ao próprio filho.

As principais críticas a Flávio partem de grupos mais à direita, centradas nas “rachadinhas” e no “silêncio do senador em relação ao escândalo do Banco Master“, mas ele escapa de parte significativa do fogo cruzado que atinge os outros dois.

As principais críticas a Tarcísio partem tanto de grupos à esquerda, que exploram as doações que ele e Jair Bolsonaro receberam de Fabiano Zettel, quanto de grupos à direita, que o acusam de ter se distanciado de Bolsonaro e de “representar os interesses do centrão e da Faria Lima” em detrimento da base bolsonarista.

Apenas a partir dos dados, não é possível inferir se existe uma diretriz estratégica clara no campo governista para poupar Flávio Bolsonaro. O jornal O Globo revelou que aliados do governo Lula debatem internamente se chegou a hora de intensificar os ataques ao senador, com uma ala ponderando que, enquanto houver possibilidade de mudança no nome da candidatura da direita, acionar esse gatilho agora pode ser um erro de cálculo.

Mas ainda é possível que não haja diretriz objetiva para poupar apenas Flávio de ataques. Não é possível descartar a hipótese de que simplesmente ele desperte menos rejeição espontânea do que outras figuras do campo conservador.

De toda forma, é curioso que o principal adversário de Lula nas pesquisas seja hoje o menos atacado proporcionalmente nas redes. Se a contenção for deliberada, carrega o risco de uma faca de dois gumes: ao mesmo tempo que pode viabilizar Flávio até a janela de descompatibilização, neutralizando Tarcísio no processo, abre espaço para que o senador cresça com desenvoltura no primeiro contato mais amplo com o eleitorado durante a pré-campanha. Só o tempo dirá o quanto essa dinâmica se sustenta.


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noticia por : UOL