GUSTAVO CASTRO
DO REPÓRTERMT
A juíza Sinii Savana Bosse Saboia Ribeiro, da 10ª Vara Cível de Cuiabá, determinou o bloqueio de bens e ativos financeiros do policial penal Jefferson Rodrigo Barros de Sousa, de sua prima Rhanna Barros Martins e de empresas ligadas ao grupo.
A decisão atende a um pedido de tutela de urgência feito por William Patrício Rodrigues, que afirma ter sido vítima de um esquema de pirâmide financeira que prometia lucros de 11% ao mês com a comercialização de commodities agrícolas.
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De acordo com os autos que o
teve acesso, William realizou sucessivos aportes que somaram o montante histórico de R$ 1.625.000,00. Confiando na idoneidade dos envolvidos, ele transferiu vultosas quantias principalmente para as contas de Rhanna e de suas empresas. No entanto, após um período inicial de pagamentos, os repasses cessaram sob justificativas “inconsistentes” sobre dificuldades logísticas.
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Ainda conforme a denúncia, os investigados atraíam vítimas com a promessa de rendimentos de 11% ao mês. Para dar aparência de legitimidade ao negócio, o grupo compartilhava vídeos de carregamentos de grãos. O esquema teria financiado o patrocínio de rodeios no estado de Goiás e a aquisição de veículos de luxo, incluindo um Camaro e uma Toyota SW4, que estariam registrados em nome de laranjas. Além dos carros, o patrimônio sob suspeita inclui imóveis em Chapada dos Guimarães e em um condomínio de luxo na Capital.
Na decisão, a magistrada destacou que os comprovantes de Pix e extratos bancários demonstram que os requeridos, incluindo o policial Jefferson, atuaram diretamente no recebimento de valores. Segundo a juíza, eles funcionavam, em tese, “como captadores ou beneficiários diretos do esquema, o que justifica a medida constritiva contra todo o grupo econômico/familiar para garantir o ressarcimento”.
A magistrada ressaltou ainda que o perigo de dano é “concreto e atual”, uma vez que Rhanna Barros Martins e sua empresa já são investigadas em Goiás por crimes contra a economia popular e estelionato. Além do bloqueio de contas, a Justiça determinou o arresto de bens para tentar reaver o valor investido pela vítima.
Tanto a Polícia Civil quanto a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) foram procuradas para comentar o envolvimento do servidor Jefferson Rodrigo Barros de Sousa, que atua na Penitenciária Central do Estado (PCE), mas a reportagem não recebeu resposta de nenhum órgão até a publicação desta matéria.
Rhanna, segundo relatos do advogado da família, estaria escondida em Portugal.
Ainda na decisão, a juíza Sinii Savana Bosse Saboia Ribeiro determinou a remessa dos autos ao Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) para a designação de uma audiência de conciliação entre o investidor William Patrício Rodrigues e o grupo liderado por Rhanna Barros Martins e o policial penal Jefferson Rodrigo Barros de Sousa. Embora a data ainda não tenha sido definida, a magistrada estabeleceu regras rígidas para o encontro.
FONTE : ReporterMT



