(Da última vez que escrevi sobre a possível morte do ex-presidente Jair Bolsonaro, teve gente que reagiu como se a mera hipótese fosse uma ofensa. A esses, fica o aviso de que o texto abaixo tratará, mais uma vez, da eventual morte do ex-presidente Jair Bolsonaro, agora sob custódia do STF. Um assunto politicamente e jornalisticamente relevante. E não, o texto não é uma ofensa).
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Pergunta incômoda
No sábado, foi aquela coisa. Acordei meio assustado, fiz minhas orações e fui logo me certificar de que o ex-presidente Jair Bolsonaro não tinha morrido. Bolsonaro que, você sabe, no dia anterior havia sido internado na UTI. No domingo, a mesma coisa. Na segunda, idem. Só na terça estava mais tranquilo, mas não totalmente tranquilo. E agora mesmo, ao escrever este texto, deixe-me ir lá dar uma olhadinha.
Ufa. Bolsonaro não morreu. Mas tenho a impressão de que o ex-presidente não está nada bem e não vai se recuperar totalmente. Não preso. Daí surge a pergunta incômoda, mas necessária: o que vai acontecer a este país se Bolsonaro morrer agora? E o que vai acontecer a este país se Bolsonaro morrer sob custódia de Alexandre de Moraes e de um STF envolvido no escândalo do Banco Master?
Revolta? Guerra civil?
Há quem fale em revolta popular e até em guerra civil. Gostou, né? Entendo. É bom pensar que vivemos tempos limítrofes e que a população eternamente indignada finalmente dará vazão a essa raiva toda uma vez que o ex-presidente esteja morto. Ainda mais se a morte ocorrer sob custódia do STF e depois de tantos pedidos de prisão domiciliar. Todos indeferidos.
Mas, sinceramente, não acredito que isso possa acontecer. O que talvez seja uma pena para “a direita”, mas que é um alívio para a história do país. Não quero um banho de sangue nem acredito que um banho de sangue purificará nossa democracia. Ou o que resta dela. No mais, e correndo o risco de atrair a ira dos mais entusiasmados, preciso dizer que uma coisa é ter força eleitoral; outra bem diferente é ter toda uma população disposta a arriscar a vida e a paz por um ex-presidente.
Fica a dúvida
Mas não. Não sou desses que acham que nada vai acontecer se Bolsonaro morrer (toc, toc, toc) sob custódia do STF. E em ano eleitoral, ainda por cima! Porque não é possível. Alguma coisa tem que acontecer. Só não sei nem consigo imaginar o quê. Impeachment de ministro do STF? Será que isso apaziguaria os ânimos? A esta altura do campeonato, não sei e confesso que perdi a capacidade de imaginar.
Minha imaginação cansada de guerra consegue ir apenas até a parte da comoção nacional. O féretro sobre o carro do Corpo de Bombeiros. O choro e os obituários. Forçando um pouco meu lado mais tolo e ingênuo, consigo imaginar até Lula e Janja prestando homenagens ao Bolsonaro. Mas talvez seja melhor parar por aqui. Porque meu lado escritor consegue antever o inevitável com um distanciamento que muitos leitores consideram desrespeitoso e imperdoável. E, no entanto, fica a dúvida.
noticia por : Gazeta do Povo


