Um adolescente de 16 anos permanece sob custódia das autoridades em Cuba após ser detido durante uma operação de segurança na cidade de Morón, na província de Ciego de Ávila. O caso ocorre em meio a protestos recentes e tem gerado manifestações de preocupação por parte de organizações ligadas à liberdade religiosa e direitos humanos.
O jovem Jonathan Muir Burgos é filho do pastor Elier Muir Ávila, líder de uma igreja cristã independente no país. Segundo a organização Christian Solidarity Worldwide, ambos atenderam a uma intimação policial na segunda-feira, 16 de março, quando foram detidos. O pastor foi liberado no mesmo dia, enquanto o filho permaneceu sob custódia.
De acordo com as informações divulgadas, o adolescente foi interrogado sobre possível participação em protestos realizados na sexta-feira, 13 de março, e no sábado, 14 de março. As autoridades questionaram sua presença nas manifestações e eventuais declarações feitas durante os atos. Até o momento, não há acusação formal, mas foi informado que o caso poderá ser analisado por promotores no prazo de até três dias.
Relatos indicam que o jovem está detido no Departamento de Investigação Técnica em Ciego de Ávila. Familiares e ativistas manifestaram preocupação com sua condição de saúde, devido a um problema médico considerado grave.
Os protestos ocorreram após sucessivos apagões e dificuldades no abastecimento de alimentos e medicamentos em diferentes regiões do país. Em Morón, manifestações foram registradas após sete noites consecutivas de falta de energia. Durante os atos, prédios ligados ao Partido Comunista de Cuba foram alvo de depredação e incêndio, e há relato de uma pessoa baleada.
Segundo o portal CiberCuba, ações policiais posteriores incluíram intimações, buscas e detenções direcionadas a jovens e menores de idade na cidade. O acesso à internet também foi interrompido durante o período das manifestações.
A detenção de Jonathan Muir Burgos ocorre em um contexto de pressões relatadas contra sua família. O pastor Elier Muir Ávila lidera a igreja Tiempo de Cosecha, que não integra o sistema religioso oficialmente reconhecido pelo Estado cubano. Em Cuba, organizações religiosas precisam de autorização governamental para operar, e grupos não registrados relatam monitoramento e restrições.
Em 2024, o pastor recebeu visitas de autoridades que, segundo relatos, reforçaram que apenas igrejas autorizadas poderiam funcionar e que líderes religiosos deveriam ser reconhecidos pelo Estado.
O caso foi comparado por ativistas a episódios anteriores envolvendo líderes religiosos. O reverendo Mario Félix Lleonart Barroso, do Instituto Patmos, apontou semelhanças com detenções ocorridas após protestos nacionais em julho de 2021.
A diretora de advocacy da Christian Solidarity Worldwide, Anna Lee Stangl, pediu a libertação imediata do adolescente. — A CSW exige que o governo cubano liberte imediatamente Jonathan Muir Burgos e o entregue à custódia de seus pais — declarou. — A detenção de um jovem de 16 anos, com um grave problema de saúde, simplesmente por ter tentado exercer sua liberdade de expressão, é inconcebível — afirmou.
Dados da organização jurídica independente Cubalex indicam aumento de ações repressivas no país. Em fevereiro, foram registrados 242 eventos relacionados a repressão estatal, totalizando 528 incidentes em diferentes categorias, de acordo com informações do The Christian Post.
Segundo a entidade, 190 pessoas sofreram violações de direitos humanos no período, incluindo 46 mulheres e 144 homens. Entre os casos documentados estão detenções arbitrárias, vigilância policial, ameaças, transferências forçadas entre centros de detenção e situações envolvendo pessoas privadas de liberdade.


