sexta-feira, 20, março , 2026 12:31

Delação de Vorcaro cria guerra de versões e pode mudar rumo da eleição




A eventual delação do dono do Master, Daniel Vorcaro, criou uma guerra de versões entre apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre quem será mais atingido e sairá mais ferido das revelações do banqueiro sobre fraudes bancárias e compra de apoio político.O presidente Lula disse ontem que a delação é o ovo da serpente para Bolsonaro e Roberto Campos Neto. O grupo de Bolsonaro aponta o dedo para ministros e políticos do PT, principalmente os da Bahia.Na avaliação de líderes partidários, uma colaboração de Vorcaro deve ser acompanhada da de outros, como o fundador da Reag, João Carlos Mansur, criando um ambiente de turbulência exatamente no início da campanha eleitoral. “Nenhum lado será poupado, nem o STF, a dúvida é quem sairá mais ferido deste processo que possa a República a limpo”, diz um líder político.
Em Brasília, as especulações já começaram antes mesmo de um acordo ser fechado. A depender do que for revelado, o cenário eleitoral pode sofrer mudanças imprevistas, beneficiar um dos dois lados que lideram as pesquisas, de Lula e Flávio Bolsonaro, ou mesmo abrir caminho para alguém que possa dizer na campanha que não tinha nenhum envolvimento com os esquemas do banqueiro.O termo de confidencialidade entre Vorcaro, Polícia Federal e Procuradoria Geral da República já foi assinado. Primeiro passo para as negociações de uma colaboração premiada, que pode chegar a um acordo ou não. Vai depender do que o banqueiro aceitará contar e das provas que ele poderá apresentar para confirmar seus depoimentos.A presença da PF e da PGR juntas nas negociações é vista como um alívio dentro do STF e no meio político. A PGR tende a evitar “excessos de delegados”, enquanto a PF não vai permitir operações para acobertar essa ou aquela autoridade. Funciona, nas palavras de um investigador, como um seguro para os dois lados não serem acusados de pesar a mão ou aliviar na delação que tem potencial para ser a mais explosiva da história da República, atingindo os Três Poderes.


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