sexta-feira, 24, abril , 2026 04:24

Catolicismo perde fiéis enquanto protestantismo segue crescendo


Levantamento realizado em 2024 indica que o cristianismo registrou perdas significativas relacionadas à mudança de religião em diferentes países. O termo refere-se a pessoas que, na vida adulta, passam a se identificar com uma religião diferente daquela em que foram criadas.

Dentro do cristianismo, os dois maiores grupos — católicos e protestantes — apresentaram comportamentos distintos. O catolicismo registrou perdas líquidas na maioria dos países analisados, enquanto o protestantismo apresentou ganhos líquidos em parte relevante dos locais pesquisados.

O estudo, conduzido pelo Pew Research Center, avaliou dados de 24 países. Em 12 deles, a maioria da população foi criada na fé católica, com índices que variam de 59% dos adultos na Hungria a 96% na Polônia. Em alguns casos, a maioria dos adultos manteve essa identificação ao longo da vida, como na Polônia, onde 92% continuam se declarando católicos.

Ainda assim, há um contingente relevante de pessoas que deixaram o catolicismo. Em 15 dos países analisados, ex-católicos representam 10% ou mais da população. Por outro lado, a adesão ao catolicismo por pessoas de outras origens religiosas ou sem religião é considerada baixa.

Na Itália, por exemplo, 22% dos adultos afirmam ter deixado o catolicismo, enquanto apenas 1% declarou ter se convertido posteriormente, resultando em perda líquida de 21 pontos percentuais. De forma geral, em 21 dos 24 países analisados, o número de pessoas que deixaram o catolicismo superou o de novos convertidos. A Hungria foi exceção, com 5% de conversões frente a 2% de saídas. Em Quênia e Coreia do Sul, os índices de entrada e saída foram semelhantes.

Entre aqueles que deixam o catolicismo, parte migra para o protestantismo, enquanto outros passam a não se identificar com nenhuma religião. O desligamento religioso é mais frequente em regiões da Europa e da América Latina. No Chile, por exemplo, 19% dos adultos são ex-católicos que hoje se declaram sem religião. Já em países como Brasil, Gana, Nigéria e Filipinas, a migração para o protestantismo é mais comum.

Apesar das perdas, os católicos ainda formam maioria em oito dos 24 países analisados. A maior proporção foi registrada na Polônia (92%), seguida pelas Filipinas (80%) e pela Itália (69%).

O protestantismo, por sua vez, apresenta dinâmica diferente. Em nove países, ex-protestantes representam ao menos 10% da população. No entanto, há diversos locais onde o número de conversões para o protestantismo supera o número de saídas, resultando em saldo positivo.

Na América Latina, essa tendência é mais evidente. No Brasil, 15% dos adultos afirmaram ter se convertido ao protestantismo após terem sido criados fora dessa tradição, enquanto 6% deixaram o grupo, resultando em ganho líquido de 9 pontos percentuais. A maioria dos novos protestantes no país é composta por ex-católicos.

Em contraste, países como Suécia, Reino Unido e Alemanha registraram perdas líquidas no protestantismo.

Entre aqueles que deixam o protestantismo, a maioria passa a não se identificar com nenhuma religião. Na Austrália, por exemplo, 15% da população é formada por ex-protestantes que hoje se declaram sem religião, enquanto percentuais menores migraram para o catolicismo ou outras crenças.

Após essas mudanças, os protestantes representam cerca de um quarto da população na maioria dos países analisados, com presença majoritária apenas em Gana (62%) e Quênia (55%).





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