segunda-feira, 27, abril , 2026 09:39

Renda insuficiente leva brasileiros a buscar renda extra, e maioria diz não conseguir pagar contas, aponta Datafolha



A dificuldade de pagar as contas tem empurrado brasileiros para fora da renda principal. Nos últimos meses, quase metade da população buscou alguma fonte extra de dinheiro diante do orçamento apertado, segundo levantamento do Datafolha lançado nesta domingo (26).
Ao mesmo tempo, a maioria afirma que o que ganha hoje não é suficiente para cobrir despesas básicas.
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A pesquisa ouviu 2.002 pessoas em 117 municípios no início de abril. Os dados indicam que 59% dos entrevistados sentem que a renda familiar não dá conta do dia a dia, enquanto cerca de 45% recorreram a trabalhos adicionais — formais ou informais — para complementar o orçamento.
O movimento é mais intenso entre famílias de baixa renda. Entre quem ganha até dois salários mínimos, a percepção de insuficiência chega a aproximadamente 70%.
Esse grupo também aparece com maior pressão para buscar alternativas, como serviços temporários, vendas informais e atividades por conta própria.
Queda na renda familiar
O levantamento também mostra deterioração recente nos ganhos, com cerca de 40% dos entrevistados relatando queda na renda familiar nos últimos meses.
A perda é mais frequente entre pessoas de 35 a 44 anos, faixa etária em que quase metade (49%) afirma ter visto o orçamento encolher.
Outro recorte revela que a busca por renda extra é mais comum entre pessoas com maior escolaridade.
Segundo a pesquisa, isso ocorre porque esses grupos tendem a estar mais inseridos no mercado de trabalho e, portanto, têm mais oportunidades — ainda que muitas vezes precárias — de ampliar os ganhos.
Mulheres lideram percepção de piora financeira
Dados do Datafolha indicam que elas lidam com mais dificuldade para fechar as contas e têm uma percepção mais negativa sobre a própria situação econômica.
As mulheres aparecem com maior frequência entre quem afirma que a renda não cobre despesas básicas e também lideram entre os que classificam a vida financeira como ruim ou péssima.
O impacto desse cenário vai além do bolso: elas relatam mais insegurança, desânimo e preocupação com dinheiro do que os homens.
Os números reforçam essa diferença. Cerca de 44% das mulheres dizem ter humor financeiro ruim ou péssimo, ante 36% dos homens. No geral, quatro em cada dez brasileiros demonstram algum nível de insatisfação com suas finanças.
Parte dessa desigualdade está ligada à renda. Mulheres seguem mais concentradas nas faixas salariais mais baixas e, em média, ganham menos — com diferenças que podem chegar a cerca de 30% em cargos de liderança. Além disso, têm menor participação no mercado de trabalho, o que reduz as possibilidades de ampliar ganhos.
O endividamento também pesa mais. Um percentual maior de mulheres afirma estar negativado, sinalizando maior dificuldade para manter as contas em dia.
*Reportagem em atualização



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