Na última quinta-feira (23), um contingente de mais de 250 indianos pertencentes à comunidade Bnei Menashe desembarcou em Israel, dando continuidade a um programa governamental israelense de aliá — termo hebraico que designa a imigração judaica para o país. Conforme a Lei do Retorno de 1950, todo judeu no mundo tem o direito de se estabelecer em Israel.
Esses imigrantes indianos formam o primeiro grupo dos Bnei Menashe a chegar após a decisão do governo israelense de financiar a vinda da comunidade, que vive nos estados de Mizoram e Manipur, no nordeste da Índia. No ano passado, as autoridades aprovaram a aliá dos 6 mil membros restantes do grupo até 2030, operação batizada de “Asas do Amanhecer”.
Os Bnei Menashe afirmam ser descendentes da tribo de Manassés e migram para Israel desde a década de 1990.
Recepção calorosa no aeroporto
No Aeroporto Ben Gurion, os 250 indianos foram recebidos com comemorações por amigos e parentes israelenses que ficaram anos sem vê-los. “Esse homem é como um irmão para mim, não o vejo há nove anos. Éramos vizinhos e estávamos entre os poucos judeus da nossa vila”, declarou Dagan Zolat, que se mudou para Israel em 2006, ao abraçar um dos recém-chegados, em entrevista à AFP.
O ministro da Imigração, Ofir Sofer, esteve presente no aeroporto para recepcionar o grupo de indianos e classificou o momento como histórico. “Este é o começo de uma operação que permitirá que toda a comunidade imigre, 1.200 por ano”, afirmou Sofer à AFP.
Inicialmente, os 250 indianos serão alojados em um centro na cidade de Nof Hagalil, onde já há uma grande comunidade Bnei Menashe estabelecida. De acordo com o Ministério da Aliá e Integração, outros dois voos estão previstos para as próximas duas semanas.
A organização Shavei Israel, que rastreia descendentes das chamadas Tribos Perdidas e auxiliou no processo de imigração da comunidade indiana, informou que cerca de 4 mil Bnei Menashe já imigraram para Israel desde 1990, e aproximadamente 7 mil ainda vivem na Índia.
Segundo a tradição oral dos Bnei Menashe, a comunidade passou por um longo êxodo de séculos pela Pérsia, Afeganistão, Tibete e China, mantendo práticas religiosas judaicas como a circuncisão.
Incentivo à aliá em meio ao antissemitismo global
No ano passado, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, fez um apelo aos judeus ao redor do mundo para que façam aliá diante do aumento do antissemitismo internacional.
“Por que criar seus filhos nesse ambiente? Venham com suas famílias para a terra de nossos antepassados, para o Estado de Israel, onde os judeus ensinaram ao mundo inteiro o que significa autodefesa judaica. Chegou a hora”, incentivou ele, durante um evento em Israel. Com: The Times of Israel.


