O pastor Silas Malafaia classificou como uma “derrota vergonhosa para Lula” a rejeição, pelo Senado Federal, do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi feita em suas redes sociais logo após o resultado da votação no Plenário da Casa.
O placar final registrou 42 votos contrários e 34 favoráveis à indicação do petista. Trata-se da primeira vez desde 1894 que o Senado rejeita um nome proposto por um presidente da República para o STF, o que foi interpretado por analistas como um duro revés ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“DERROTA VERGONHOSA PARA LULA! Como disse em várias entrevistas, Messias é um esquerdopata gospel, onde tenho profundas divergências, diametralmente oposto ao que penso. Acabou a indicação dele para o STF. Só o próximo governo”, escreveu Malafaia.
Contextualização
A manifestação do pastor, embora comemorativa, traz uma nuance importante: dias antes da votação, Malafaia havia defendido publicamente o direito de Lula de indicar Jorge Messias, mesmo tendo chamado o ministro de “esquerdopata gospel” e afirmado discordar radicalmente de suas posições.
Para o líder religioso, a prerrogativa de escolher um nome para o Supremo é inerente ao cargo de presidente da República — uma posição que ele já havia sustentado durante o governo Jair Bolsonaro (PL), quando apoiou a indicação do então ministro da Justiça, André Mendonça, para o STF em 2021. Na ocasião, Malafaia fez campanha aberta a favor de Mendonça, que acabou aprovado.
Assim, a celebração da derrota de Messias não significa, no entendimento do pastor, uma negação do direito de Lula indicar ministros, mas sim a vitória da “luta política” contra um nome que ele considera ideologicamente oposto.
A rejeição histórica, contudo, expõe o desgaste da articulação governamental no Senado e a força da oposição conservadora na Casa.


