sábado, 9, maio , 2026 04:37

Como nasceu Israel: leia o documento que criou o novo Estado judeu no século XX

Em 1917, o secretário britânico dos Assuntos Estrangeiros, Arthur James Balfour, assinou um termo em que afirmava que o Reino Unido pretendia facilitar o estabelecimento do lar nacional judaico na Palestina. Ao final da Primeira Guerra Mundial, os ingleses assumiram um mandato sobre a região, com autorização da Liga das Nações. O controle sobre o território se encerraria à meia-noite de 15 de maio de 1948, um sábado.

Por volta das 16h de 14 de maio, no Museu de Tel Aviv, uma proclamação, assinada por 36 lideranças judaicas e declamada por David Ben-Gurion, anunciava a criação do Estado independente de Israel.

Naquela mesma noite, a nova nação foi reconhecida pelo governo dos Estados Unidos. Logo no dia seguinte, Egito, Síria, Iraque, Jordânia, Líbano e Arábia Saudita atacaram Israel. O confronto teria continuidade até março do ano seguinte. Primeiro-ministro do país, Ben-Gurion governaria por 13 anos, distribuídos por dois mandatos.

Leia a íntegra da Declaração de Fundação do Estado de Israel, em tradução livre

Eretz-Israel [em hebraico, a Terra de Israel] foi o berço do povo judeu. Aqui se moldou sua identidade espiritual, religiosa e política. Aqui eles alcançaram pela primeira vez a condição de Estado, criaram valores culturais de significado nacional e universal e legaram ao mundo o eterno Livro dos Livros.

Após ser forçado a se exilar de sua terra, o povo manteve-se fiel a ela durante toda a sua Dispersão e jamais cessou de orar e esperar por seu retorno e pela restauração de sua liberdade política. Impelidos por esse apego histórico e tradicional, os judeus se esforçaram, em cada geração sucessiva, para se restabelecerem em sua antiga pátria. Nas últimas décadas, retornaram em massa. Pioneiros, ma’pilim [imigrantes que vieram para Eretz-Israel] e defensores fizeram florescer os desertos, revitalizaram a língua hebraica, construíram vilas e cidades e criaram uma comunidade próspera, controlando sua própria economia e cultura, amando a paz, mas sabendo se defender, levando as bênçãos do progresso a todos os habitantes do país e aspirando à independência nacional.

No ano de 5657 [o equivalente a 1897 da era cristã], a convite do pai espiritual do Estado Judeu, Theodor Herzl, o Primeiro Congresso Sionista se reuniu e proclamou o direito do povo judeu ao renascimento nacional em seu próprio país.

Esse direito foi reconhecido na Declaração Balfour de 2 de novembro de 1917 e reafirmado no Mandato da Liga das Nações que, em particular, conferiu sanção internacional à ligação histórica entre o povo judeu e Eretz Israel e ao direito do povo judeu de reconstruir sua pátria nacional.

A catástrofe que recentemente se abateu sobre o povo judeu — o massacre de milhões de judeus na Europa — foi mais uma clara demonstração da urgência de se resolver o problema da sua condição de desabrigado, restabelecendo em Eretz Israel o Estado Judeu, que abriria as portas da pátria a todos os judeus e conferiria ao povo judeu o status de membro plenamente privilegiado da comunidade das nações.

Sobreviventes do Holocausto nazista na Europa, assim como judeus de outras partes do mundo, continuaram a migrar para Eretz-Israel, sem se deixarem intimidar pelas dificuldades, restrições e perigos, e nunca deixaram de reivindicar seu direito a uma vida digna, livre e com trabalho honesto em sua pátria.

Na Segunda Guerra Mundial, a comunidade judaica deste país contribuiu plenamente para a luta das nações amantes da liberdade e da paz contra as forças da maldade nazista e, pelo sangue de seus soldados e pelo seu esforço de guerra, conquistou o direito de ser reconhecida entre os povos que fundaram as Nações Unidas.

Em 29 de novembro de 1947, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução que pedia o estabelecimento de um Estado Judeu em Eretz Israel; a Assembleia Geral exigiu que os habitantes de Eretz Israel tomassem as medidas necessárias para a implementação dessa resolução. Esse reconhecimento, pelas Nações Unidas, do direito do povo judeu de estabelecer seu Estado é irrevogável.

Esse direito é o direito natural do povo judeu de ser senhor de seu próprio destino, como todas as outras nações, em seu próprio Estado soberano.

Assim sendo, nós, membros do Conselho Popular, representantes da comunidade judaica de Eretz-Israel e do movimento sionista, estamos aqui reunidos no dia do término do mandato britânico sobre Eretz-Israel e, em virtude de nosso direito natural e histórico e com base na resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas, declaramos o estabelecimento de um Estado judeu em Eretz-Israel, a ser conhecido como Estado de Israel.

DECLARAMOS que, a partir do momento do término do Mandato, nesta noite, véspera do Shabat, 6 de Iyar de 5708 [15 de maio de 1948], até o estabelecimento das autoridades eleitas e regulares do Estado, de acordo com a Constituição que deverá ser adotada pela Assembleia Constituinte Eleita até 1º de outubro de 1948, o Conselho Popular atuará como Conselho de Estado Provisório, e seu órgão executivo, a Administração Popular, será o Governo Provisório do Estado Judeu, denominado Israel.

O ESTADO DE ISRAEL estará aberto à imigração judaica e ao retorno dos exilados; promoverá o desenvolvimento do país para o benefício de todos os seus habitantes; será baseado na liberdade, justiça e paz, conforme idealizado pelos profetas de Israel; assegurará completa igualdade de direitos sociais e políticos a todos os seus habitantes, independentemente de religião, raça ou sexo; garantirá a liberdade de religião, consciência, idioma, educação e cultura; salvaguardará os Lugares Sagrados de todas as religiões; e será fiel aos princípios da Carta das Nações Unidas.

O ESTADO DE ISRAEL está preparado para cooperar com as agências e representantes das Nações Unidas na implementação da resolução da Assembleia Geral de 29 de novembro de 1947 e tomará medidas para concretizar a união econômica de toda a Terra de Israel.

Apelamos às Nações Unidas para que auxiliem o povo judeu na construção de seu Estado e para que acolham o Estado de Israel na comunidade das nações.

Apelamos — em meio ao ataque lançado contra nós há meses — aos habitantes árabes do Estado de Israel para que preservem a paz e participem da construção do Estado com base na cidadania plena e igualitária e na devida representação em todas as suas instituições, provisórias e permanentes.

Estendemos a nossa mão a todos os Estados vizinhos e seus povos, oferecendo paz e boa vizinhança, e apelamos para que estabeleçam laços de cooperação e ajuda mútua com o povo judeu soberano, estabelecido em sua própria terra. O Estado de Israel está preparado para fazer a sua parte em um esforço comum para o progresso de todo o Oriente Médio.

Apelamos ao povo judeu em toda a Diáspora para que se una aos judeus de Eretz Israel nas tarefas de imigração e construção e para que os apoie na grande luta pela realização do sonho ancestral – a redenção de Israel.

Depositando nossa confiança na ‘Rocha de Israel’, aporemos nossas assinaturas a esta proclamação nesta sessão do Conselho Provisório de Estado, em solo da pátria, na cidade de Tel Aviv, nesta véspera de sábado, 5º dia de Iyar, 5708 [14 de maio de 1948].”

Fonte: Site oficial do governo de Israel.

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noticia por : Gazeta do Povo