Uma carta de suicídio supostamente escrita pelo abusador sexual Jeffrey Epstein enquanto estava preso, em 2019, usa uma linguagem que, em alguns casos, ecoa seus escritos enviados para amigos e familiares.
Uma mensagem na carta —”Sem graça”— também aparece em um manuscrito encontrado na cela de Epstein após a sua morte, bem como em emails que ele enviou ao longo dos anos.
E outra expressão no documento —”o que cê quer que eu faça —caia no choro!! [sic]”— aparece em emails que Epstein escreveu para pessoas próximas.
Um companheiro de cela afirmou que Epstein escreveu a carta antes de ser encontrado inconsciente no local, semanas antes de sua morte. O financista condenado por crimes sexuais sobreviveu àquele episódio. O jornal americano The New York Times noticiou sobre o documento na semana passada e conseguiu que um juiz federal o tornasse público.
Epstein foi encontrado morto, aos 66 anos, em agosto de 2019. O médico legista de Nova York concluiu que a causa da morte foi suicídio.
Outra carta foi encontrada na cela de Epstein após sua morte, e investigadores acreditam que o texto havia sido escrito por ele. Na mensagem, o financista reclama das condições da prisão, citando comida queimada, insetos gigantes e o fato de ter sido mantido trancado no chuveiro. O bilhete termina com a frase sublinhada: “SEM GRAÇA!!”
Epstein também usava a expressão em emails para descrever coisas que o deixavam infeliz ou situações que não haviam saído como ele queria. Uma mensagem enviada em 2010 dizia: “desculpa hoje foi uma loucura, nem um minuto livre. sem graça”.
Epstein usava a frase “o que cê quer que eu faça —caia no choro” com amigos e em mensagens para seu irmão, Mark Epstein.
Assim como a carta divulgada pelo juiz, os emails de Epstein com frequência eram curtos, com frases entrecortadas e pontuação irregular.
Os emails aparecem entre milhões de páginas de documentos divulgados pelo Departamento de Justiça em resposta a uma lei aprovada no ano passado que determinou a publicação de registros relacionados a Epstein.
Um juiz federal divulgou na última quarta (6) a suposta carta de suicídio de Epstein que permaneceu sob sigilo por anos como parte do processo criminal envolvendo seu companheiro de cela.
Na nota manuscrita, Epstein diz que foi investigado por meses e que nada foi comprovado. “NÃO ENCONTRARAM NADA”, escreve. O financista afirma ainda que os fatos que geraram as acusações eram de muitos anos atrás e que o intuito seria fazê-lo “cair no choro”.
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Voluntários atendem ligações gratuitas 24 horas por dia no número 188 ou pelo site www.cvv.org.br
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Site mapeia diversos tipos de atendimento: www.mapasaudemental.com.br
noticia por : UOL


