quinta-feira, 14, maio , 2026 07:14

Fabricante de chips Cerebras levanta US$ 5,5 bi em IPO nos EUA e ações disparam 68%

As ações da fabricante de chips Cerebras Systems mais que dobraram nas primeiras negociações após a empresa levantar US$ 5,5 bilhões (R$ 27,4 bi) em seu IPO (oferta pública inicial). O salto é mais um sinal da avassaladora demanda dos investidores por ações de IA (inteligência artificial) e semicondutores.

As parcerias da Cerebras com OpenAI e Amazon ajudaram a empresa a lançar o maior IPO do ano, apesar de a companhia do Vale do Silício ser pouco conhecida fora da indústria de tecnologia e ter sido descartada por muitos como uma rival secundária da Nvidia há apenas alguns anos.

A resposta do mercado ao IPO só vai intensificar a expectativa dos investidores pelas estreias da OpenAI e da Anthropic, que podem seguir a SpaceX de Elon Musk ainda este ano.

A forte demanda pelas ações da Cerebras elevou o preço esperado da oferta várias vezes, com a empresa precificando seu IPO a US$ 185 (R$ 921,51) por ação na quarta-feira (13) à noite. No início da semana, a meta era levantar US$ 4,8 bilhões (R$ 23,9 bi).

As ações dispararam para US$ 385 (R$ 1.917) imediatamente após a estreia na tarde desta quinta-feira (14), antes de as negociações serem brevemente suspensas devido à volatilidade. O papel fechou em alta de 68% no dia, a US$ 311 (R$ 1.549).

A capitalização de mercado da Cerebras de quase US$ 70 bilhões (R$ 348,7 bi) a coloca em patamar semelhante ao da General Motors e da Warner Bros Discovery, bem como da NXP, fornecedora crucial de chips para Apple, Samsung e a indústria automotiva.

A Cerebras, que protocolou pela primeira vez os documentos para listagem há quase dois anos, reportou prejuízo operacional de US$ 146 milhões (R$ 727,2 mi) sobre vendas de US$ 510 milhões (R$ 2,5 bi) em 2025, com receita em alta de 76% na comparação anual. Há menos de um ano, a empresa foi avaliada em US$ 8,1 bilhões (R$ 40,3 bi)em um financiamento privado.

O IPO coincidiu com uma disparada das ações de chips, à medida que investidores correm para a infraestrutura que alimenta o boom da IA. Tanto a Nvidia, líder em chips de IA, quanto a Broadcom, importante fornecedora de chips de IA para o Google, atingiram novas máximas históricas nessa quinta, sendo avaliadas em US$ 5,7 trilhões (R$ 28,4 tri) e US$ 2,1 trilhões (R$ 10,4 tri), respectivamente.

A demanda por poder computacional acelerou rapidamente após a chegada de ferramentas de IA como o Claude Code. Esses sistemas exigem mais capacidade de processamento para realizar a “inferência” envolvida em responder a consultas, área em que o hardware da Cerebras é especializado.

Andrew Feldman, cofundador e CEO da Cerebras, começou a construir um chip para o mercado de IA há mais de uma década e disse que levou anos a mais do que ele originalmente esperava para chegar a este ponto.

“Construir hardware não é uma jornada fácil”, disse ele ao FT nesta quinta. “Fizemos algo que ninguém jamais havia feito em 2020, e ninguém se importou. Estávamos à frente do mercado.”

Nos últimos 18 meses, o foco do Vale do Silício mudou do treinamento de modelos de IA para servi-los a milhões de clientes. “A IA passou de ser uma novidade para ser útil”, disse Feldman. “De repente, as coisas em que éramos os melhores do mundo, como velocidade, saltaram para a linha de frente.”

A Cerebras, fundada em 2020,é uma das muitas aspirantes a desafiar a dominância da Nvidiano mercado de chips, cuja participação ainda está em cerca de 80%, segundo o grupo de análise IDC. A tecnologia da empresa usa folhas inteiras de silício para fabricar um chip do tamanho de um prato de jantar —58 vezes maior que as GPUs da Nvidia que dominam o mercado de IA.

O design superdimensionado elimina a necessidade de conectar muitos chips menores, o que pode retardar as respostas às consultas de IA dos usuários.

Eric Vishria, da Benchmark, um dos primeiros investidores na empresa, disse que, quando a Cerebras apresentou a ideia, era uma proposta “provocativa, mas sensata” que nunca havia sido tentada.

“Houve vários períodos realmente sombrios. O que eles construíram foi muito difícil de fazer. Era um mercado difícil. Exigia muito capital. E eles simplesmente continuaram”, disse ele. “Estamos apenas arranhando a superfície de quanta demanda por inferência haverá.”

A Cerebras fechou recentemente um acordo de US$ 20 bilhões (R$ 99,6 bi) com a OpenAI, que prevê a implantação de 750 megawatts de chips da Cerebras no futuro, além do co-desenvolvimento de hardware. A Cerebras também firmou parcerias com AWS (Amazon Web Services), Meta e as startups de IA Mistral, Cognition e Windsurf.

Esses acordos devem ajudar a reduzir sua dependência de dois grandes clientes nos Emirados Árabes Unidos —o grupo de computação G42 e a Universidade de Inteligência Artificial Mohamed bin Zayed— que juntos representaram 86% das receitas no ano passado.

Feldman minimizou o risco da concentração de receita da Cerebras, observando que sua parceria com a AWS abre portas para milhares de clientes corporativos.

noticia por : UOL