O rabino-chefe de Tzfat e integrante do Conselho do Rabinato-Chefe, Shmuel Eliyahu, pediu ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e aos ministros do governo israelense que acelerem a construção de uma sinagoga no Monte do Templo, em Jerusalém.
O apelo foi feito durante as celebrações do Dia de Jerusalém, em discurso realizado diante do local considerado sagrado por judeus, cristãos e muçulmanos. As declarações repercutiram na imprensa e nas redes sociais em Israel.
Durante a fala, Eliyahu mencionou a mesquita de Al-Aqsa e afirmou que o Monte do Templo mantém ligação histórica com os antigos templos judaicos. “Durante 2.000 anos estivemos no exílio; nesse período, construíram esta estrutura aqui. Mas, na verdade, o Primeiro e o Segundo Templos estiveram neste lugar – e o Terceiro Templo estará aqui”, declarou.
O rabino também defendeu a instalação de uma sinagoga enquanto o templo judaico não é reconstruído. “Enquanto isso, até que o Templo seja reconstruído, é necessário que haja uma sinagoga aqui”, afirmou.
Shmuel Eliyahu relembrou ainda posicionamentos de seu pai, o rabino sefardita Mordechai Eliyahu, que anos antes defendia a criação de uma área judaica de oração em setores do Monte do Templo permitidos pela Halachá, a lei religiosa judaica.
Ao encerrar o discurso, Eliyahu fez novo apelo às autoridades israelenses. “Este é o papel dos líderes, dos ministros do governo, do primeiro-ministro. Uma sinagoga no Monte do Templo – chegou a hora”, declarou.
O debate ocorre em meio às discussões sobre a Lei de Proteção dos Lugares Sagrados, aprovada pelo Knesset em 27 de junho de 1967, após Israel estender sua jurisdição sobre Jerusalém unificada. A legislação garante acesso aos locais sagrados para diferentes religiões e prevê punições para atos que impeçam a liberdade religiosa nesses espaços.
Segundo a lei, atos de profanação podem resultar em até sete anos de prisão, enquanto impedir o acesso de fiéis pode gerar pena de até cinco anos. Apesar disso, grupos judaicos afirmam que existem restrições para orações judaicas no Monte do Templo, incluindo limitações de horários e proibição de determinados rituais religiosos.
De acordo com o portal Israel365, judeus têm acesso restrito ao local, sem autorização para realizar orações públicas ou cerimônias religiosas. O Monte do Templo é administrado pelo Waqf Islâmico, fundação ligada à Jordânia responsável pela gestão religiosa interna da área.
Cristãos enfrentam restrições semelhantes, incluindo proibição de exibir símbolos religiosos no local. A polícia israelense também impede a exibição de bandeiras de Israel na região.
O ativista Josh Wander, integrante de uma organização ligada ao rabino Eliyahu, afirmou que a proposta de construção de uma sinagoga no Monte do Templo vem sendo discutida desde 1967, após Israel assumir o controle da área.
Segundo Wander, a criação de uma sinagoga permitiria acesso organizado de judeus ao local dentro dos limites estabelecidos pela Halachá. Ele afirmou ainda que o espaço possibilitaria práticas religiosas atualmente restritas, como orações coletivas, uso de talit e tefilin, leitura pública da Torá e celebrações do Shabat e de outras datas sagradas.
Wander também declarou que diferentes locais para a construção da sinagoga já foram discutidos ao longo dos anos, incluindo áreas próximas à região nordeste do Monte do Templo.


