O grupo Stellantis vai investir 60 bilhões de euros (R$ 348 bilhões) até 2030 para desenvolver novas plataformas, motores e tecnologias e se fortalecer em regiões estratégicas para o grupo, como a América do Sul.
O anúncio foi feito nesta quinta (21) durante a abertura do Investor Day, em Auburn Hills (EUA), cidade vizinha à Detroit.
O plano é uma resposta ao avanço chinês em mercados antes dominados por marcas americanas, europeias e japonesas. É também a primeira grande ação de Antonio Filosa à frente do grupo, que reúne, entre outras, as marcas Fiat, Jeep, Peugeot, Citroën e RAM.
O executivo define a estratégia, chamada FASTLAne 2030, como “uma combinação única de forças”.
“Temos uma escala global forte, marcas que se conectam com os consumidores e profundas raízes regionais nos locais em que atuamos”, afirma Filosa, que já presidiu o grupo Stellantis na a América do Sul.
Entre renovações e estreias de opções inéditas, serão lançados ao menos 60 automóveis até 2030, de acordo com a montadora.
Entre modelos e versões, a lista inclui 29 carros elétricos, 15 híbridos do tipo plug-in (com recarga da bateria na tomada) e 29 a combustão, que também podem contar com o sistema MHEV (híbrido leve, em que um motor elétrico auxilia nas partidas para reduzir o consumo).
O avanço estará sob o comando das principais marcas da empresa: Fiat, Jeep, Peugeot e RAM. As demais (Chrysler, Dodge, Citroën, Opel e Alfa Romeo), passam a ser consideradas operações regionais.
Isso significa que o desenvolvimento será concentrado nas empresas de atuação mais global, enquanto as demais receberão versões desses produtos. De certa forma, essa configuração já ocorre hoje, mas há indícios de que as diferenças entre os produtos sejam menores em uma próxima geração.
Um exemplo é o que ocorre com a alemã Opel, conhecida dos brasileiros pela parceria de décadas com a General Motors. Durante o Investor Day, um dos modelos exibidos pelo grupo Stellantis em Auburn Hills (EUA) foi o Astra Wagon, que é uma versão do Peugeot 308 com mudanças na dianteira e na traseira.
Já as marcas DS e Lancia continuam sobre o controle da Citroën e da Fiat, respectivamente. Ou seja, são submarcas das submarcas, e por isso tendem a virar produtos de nicho ou séries especiais. Ou podem desaparecer.
Do total investido, o grupo Stellantis vai destinar 24 bilhões de euros (R$ 139,2 bilhões) ao desenvolvimento de novas plataformas, que serão compartilhadas entre todas as marcas. Uma delas será a STLA One, que vai definir o futuro de seus carros de passeio.
Hoje, a montadora usa plataformas que surgiram antes da fusão dos grupos PSA (Peugeot Citroën) e FCA (Fiat Chrysler). É esperado que 70% dos produtos derivem das novas arquiteturas até 2035.
Há ainda o lado chinês do grupo Stellantis, que detém 51% da Leapmotor. A empresa pretende ampliar a participação dessa marca na Europa —com montagem em fábricas da Espanha— e na América Latina. Os modelos C10 e B10, por exemplo, serão construídos em Goiana (PE).
Há ainda a parceria com a Dongfeng, que monta modelos da Jeep e da Peugeot na China. Esse contrato vai se estender para o mercado europeu, cm desenvolvimento em conjunto de novas tecnologias.
Tais parcerias devem ajudar o grupo Stellantis a reduzir seus custos fabris, principal problema diante da eficiência dos novos concorrentes asiáticos. É preciso readequar preços e produtos para não perder a disputa por mercados de grande volume e, ao mesmo tempo, preservar a rentabilidade.
Com a nova estratégia, a montadora pretende crescer 25% na América do Norte nos próximos anos, após um longo período de perdas. Foi necessário voltar atrás em algumas decisões, como oferecer novamente motores V8 na linha de picapes RAM.
Na América do Sul, em que o Brasil é o principal mercado, a expectativa é de avanço de 10% até 2030.
O jornalista viajou a convite do grupo Stellantis
noticia por : UOL


