quinta-feira, 21, maio , 2026 03:20

Família Delli Colli celebra centenário com grande encontro em Apucarana

Integrantes da família Delli Colli se reuniram na Sociedade Rural de Apucarana, norte do Paraná, para celebrar o centenário da chegada de seus antepassados ao Brasil. O encontro homenageou a coragem dos pioneiros que desembarcaram no porto de Santos em 1926 e construíram um legado de muito trabalho, união e resiliência que hoje se estende por várias gerações espalhadas pelo país.

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A vinda da Itália para o continente sul-americano foi motivada por um cenário de profundas dificuldades na Europa. Segundo Luiz Delicoli, de 87 anos, um dos membros mais antigos da família, o medo de novos conflitos armados e a escassez de alimentos impulsionaram a difícil decisão de deixar a terra natal. “A vinda, em 1926, decorre também por um motivo muito grave, porque os dois primeiros filhos do nono Antônio, o Giuseppe e Arturo, lutaram na guerra entre 1914 e 1917. Ele tinha esse grande temor de situações em guerra, além da situação de pobreza, miséria e o medo da fome”, relata.


							Família Delli Colli celebra centenário com grande encontro em Apucarana

AutorNona Elvira e nono Antonio – Foto: ARQUIVO PESSOAL

A família partiu do distrito de Galluccio, na província de Caserta, região de Nápoles. A travessia do Atlântico durou cerca de 30 dias a bordo do navio Césare Battisti. O primeiro grupo chegou em maio de 1926 e o restante da família, liderada pelo patriarca Antônio e pela matriarca Elvira, desembarcou em dezembro do mesmo ano. Apesar de viajarem na terceira classe, as memórias repassadas aos descendentes narram uma travessia pacífica. Luiz lembra de ouvir que a viagem se mostrava maravilhosa em alto mar e que seus familiares passavam os dias contemplando o oceano todos juntos, em condições de navegação bem melhores do que as enfrentadas pelas primeiras levas de italianos décadas antes.

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Segundo ele, o patriarca Antônio tinha um objetivo financeiro e pessoal muito claro para realizar no Brasil que era adquirir a própria terra e não viver sob o regime de colonato nas fazendas alheias. Após trabalharem na região de Ribeirão Preto, no interior paulista, conseguiram os recursos necessários para comprar propriedades em Santa Helena, no Paraná. No entanto, um surto de malária trouxe grande sofrimento à família na época, fazendo com que o “nono” Antônio, aborrecido com a situação, proferisse a frase “Paraná nunca mais” e migrasse com os parentes para Presidente Prudente, em São Paulo.

O destino, porém, reaproximaria os Delli Colli das terras paranaenses. Por volta de 1950, o ciclo de ouro do café e a fertilidade do solo da região norte do Paraná atraíram novamente parte da família, que se estabeleceu em Apucarana e região. Foi justamente no Paraná, contrariando sua antiga promessa, que o patriarca Antônio passou seus últimos dias, motivado pela necessidade de ficar perto do filho Domingos. “Dias antes de ele falecer, encostou a enxada em um toco na roça, a qual ele usou por mais de 30 anos, entrou em casa, deitou, perdeu a voz e faleceu com 88 anos de idade, em 1954”, relembra Luiz sobre o avô, que foi sepultado em Borrazópolis.

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AutorFamília de Giuseppe – Foto: ARQUIVO PESSOAL

Além das memórias de muito trabalho na roça, de brincadeiras de infância e das Copas do Mundo ouvidas pelo rádio, os 100 anos de história no Brasil são marcados pela rigorosa preservação da cultura italiana. As grandes mesas repletas de familiares sempre tiveram espaço garantido para a macarronada, a polenta e a autêntica pizza napolitana que são mantidas como herança cultural. O almoço do centenário em Apucarana serviu para saborear novamente essas tradições e reafirmar que o sacrifício daqueles que deixaram a Itália há um século rendeu frutos que continuam a prosperar no Brasil.

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noticia por : UOL