sexta-feira, 22, maio , 2026 03:56

Governo da China cumpre ameaça e templo de igreja é demolido


Autoridades chinesas demoliram na última terça-feira, 19 de maio, a Igreja Yazhong, uma igreja protestante não registrada localizada em Wenzhou, cidade conhecida como “Jerusalém da China” devido à grande população cristã da região.

A destruição ocorreu poucos dias após uma reunião entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês Xi Jinping em Pequim, na qual foram discutidos temas relacionados à liberdade religiosa e à prisão de líderes religiosos.

Segundo informações divulgadas pela entidade ChinaAid, a igreja – também conhecida como Yayang Church – vinha sendo alvo de pressão das autoridades desde o fim de 2024. Nos dias 14 e 15 de dezembro, 103 membros da congregação foram presos em uma operação realizada antes do amanhecer. Após a ação, o governo assumiu o controle do prédio.

De acordo com relatos confirmados por fontes locais, veículos de construção atravessaram bloqueios de segurança montados pelas autoridades no domingo, 17 de maio. No dia seguinte, equipes iniciaram a demolição do templo utilizando escavadeiras pesadas. Até a manhã de terça-feira, 19 de maio, a estrutura havia sido completamente destruída.

Durante a operação, mais quatro membros da igreja foram presos, entre eles You Ci’en. Eles se somam a outros 18 integrantes da congregação já detidos anteriormente pelas autoridades ligadas ao Partido Comunista Chinês.

Segundo fontes ouvidas pela ChinaAid, familiares dos detidos receberam ordens oficiais para não comentar o caso publicamente. A região ao redor da igreja também foi isolada nas semanas anteriores à demolição, com instalação de postos de controle e vigilância a cerca de um quilômetro do local.

Relatos indicam ainda que a cruz do templo foi coberta com um pano preto antes da destruição e que policiais monitoravam celulares de pessoas presentes na área, impedindo gravações e fotografias.

A Igreja Yazhong pertence ao movimento da “Igreja Local”, tradição cristã ligada ao pregador chinês Watchman Nee. Segundo integrantes da congregação, o conflito com as autoridades se intensificou após uma determinação do governo exigindo que a bandeira nacional chinesa fosse hasteada dentro do santuário.

Os fiéis afirmaram considerar a medida uma violação da liberdade religiosa. Em junho de 2025, funcionários do governo entraram no terreno da igreja, demoliram parte do muro externo e instalaram um mastro para a bandeira, episódio que gerou protestos e agravou o impasse entre a congregação e o governo local.

Analistas que acompanham a situação religiosa na China afirmam que Wenzhou tem sido uma das regiões com maior rigor na aplicação de políticas de controle religioso. Apenas igrejas vinculadas ao Movimento Patriótico das Três Autonomias possuem reconhecimento oficial no país.

Bob Fu, presidente da ChinaAid, afirmou que a repressão contra cristãos na região se intensificou nos últimos anos.

“Meus irmãos e irmãs na fé têm permanecido firmes por tanto tempo. Mais do que a perda de um prédio da igreja, lamento a forma como o PCC reprimiu esta área conhecida por seus cristãos fiéis e os oprimiu cada vez mais a cada dia”, declarou.

Ele também afirmou que o episódio demonstra um aumento da perseguição religiosa no país: “Essas ações recentes mostram que a perseguição aos cristãos pelas autoridades chinesas se intensificou, tornando-se mais institucionalizada e direcionada”.

Observadores compararam o caso à demolição da Igreja de Sanjiang, ocorrida em Wenzhou em 2014 e que repercutiu internacionalmente.

Ao comentar a destruição da Igreja Yazhong, Bob Fu afirmou que a repressão não impediu a continuidade da fé dos membros da congregação: “Nossas fontes confirmam que este belo e sagrado local de culto foi destruído, mas nossas orações não se reduziram a escombros. Que esta perda desperte a igreja global para o que está acontecendo na China, um grande conflito entre fiéis e o poder estatal”, concluiu.





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