domingo, 24, maio , 2026 09:03

Barata vira novo símbolo político da Índia; entenda o caso

A política indiana ganhou um mascote improvável: a barata. O que começou como uma piada nas redes sociais após uma declaração polêmica do presidente da Suprema Corte da Índia, Surya Kant, se transformou em um movimento político satírico que já supera em seguidores o perfil oficial do maior partido político do mundo.

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O episódio teve início quando Kant, durante uma audiência, comparou jovens desempregados que migram para o jornalismo e o ativismo a baratas e parasitas. Ele depois esclareceu que se referia a pessoas com “diplomas falsos e fraudulentos”, mas a essa altura os comentários já haviam se espalhado pela internet, provocando indignação e uma onda de sátira política.

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O resultado foi a criação do Cockroach Janta Party (CJP), ou Partido do Povo Barata, pelo estrategista de comunicação política Abhijeet Dipke, de 30 anos, estudante da Universidade de Boston. “Pensei que deveríamos todos nos unir, talvez simplesmente criar uma plataforma”, disse ele à BBC. O que veio depois foi muito além do que ele esperava.

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Em poucos dias, o CJP acumulou dezenas de milhares de inscrições por meio de um formulário do Google, inspirou a hashtag #MainBhiCockroach (“Eu também sou uma barata”) e recebeu o apoio de líderes da oposição. Na quinta-feira, a conta do Instagram do movimento ultrapassou 10 milhões de seguidores, superando o perfil oficial do Bharatiya Janata Party (BJP), o partido governista conhecido como o maior do mundo em número de membros, com cerca de 8,7 milhões de seguidores. A conta do movimento no X, no entanto, está bloqueada na Índia por determinação legal.

O CJP não é um partido político formal, mas um coletivo online satírico cujos critérios de adesão incluem estar desempregado, ser preguiçoso, passar muito tempo online e possuir “a habilidade profissional de reclamar”. O site do movimento se descreve como “a voz dos preguiçosos e desempregados” e convida apoiadores a se juntar a um movimento para pessoas “cansadas de fingir que está tudo bem”. Por trás do humor, porém, há reivindicações reconhecíveis: responsabilização, reforma da mídia, transparência eleitoral e maior representação para mulheres.

O movimento também saiu do ambiente online, com jovens comparecendo vestidos como baratas em mutirões de limpeza e protestos. Para seus apoiadores, representa o que um deles chamou de “um sopro de ar fresco” em uma cultura política considerada excessivamente controlada e hostil à dissidência. Os críticos, por sua vez, o descartam como teatro político digital ligado à oposição, apontando para a passagem de Dipke pelo Partido Aam Aadmi antes de se mudar para os Estados Unidos.

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O movimento reflete uma frustração geracional mais ampla. A Índia tem cerca de metade de seus 1,4 bilhão de habitantes com menos de 30 anos, mas uma pesquisa recente indicou que 29% dos jovens evitavam totalmente o engajamento político e apenas 11% eram membros de algum partido. “As pessoas estão frustradas porque não se sentem ouvidas ou representadas”, disse Dipke. “A geração Z desistiu dos partidos políticos tradicionais e quer criar sua própria frente política em uma linguagem que eles entendam.”

As informações são da BBC News Brasil

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noticia por : UOL