quarta-feira, 27, maio , 2026 02:12

Críticas de Zema a Flávio podem tira-lo da corrida presidencial


Integrantes da cúpula do Partido Novo passaram a debater reservadamente a possibilidade de retirar a pré-candidatura presidencial do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema.

De acordo com apuração da revista Oeste, a avaliação interna é que Zema deveria recuar da corrida ao Palácio do Planalto e migrar para uma disputa ao Senado ou, alternativamente, à Câmara dos Deputados. A crise se agravou após uma sequência de críticas públicas do ex-governador ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato da direita.

Nos últimos dias, a tensão interna motivou a realização de uma enquete informal entre filiados para medir o clima após os ataques de Zema a Flávio. O resultado, segundo relatos obtidos pela reportagem, foi amplamente desfavorável ao ex-governador.

A ala conservadora da legenda avalia que Zema se isolou politicamente ao transformar o senador em alvo recorrente, colocando em risco alianças estratégicas com o PL e prejudicando candidatos da sigla que dependem do eleitorado bolsonarista.

Crise se Aprofunda e Viabilidade Política é Questionada

A crise atingiu seu ponto mais crítico após a divulgação, pelo site Intercept Brasil, de áudios e mensagens atribuídos a Flávio Bolsonaro e ao empresário Daniel Vorcaro sobre pedidos de recursos para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Zema usou o episódio para criticar o senador, o que foi mal recebido internamente. Nos bastidores, dirigentes afirmam que o problema não é mais o episódio específico, mas o posicionamento de enfrentamento adotado por Zema, em um momento em que o Novo tenta ampliar alianças à direita.

O desconforto é maior em estados onde a legenda depende de acordos com o PL. No Paraná, por exemplo, articula-se um palanque conjunto que inclui Sergio Moro (PL) ao governo, Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL) ao Senado, com apoio à candidatura presidencial de Flávio.

A ala conservadora argumentou a Zema que o Novo depende do eleitorado bolsonarista para atingir a cláusula de barreira nas eleições de 2026 e que diversos políticos permaneceram no partido justamente para fortalecer a bancada federal.

Alternativas e Impasse Jurídico

Uma das alternativas discutidas nos bastidores é a candidatura de Zema ao Senado. Outra possibilidade seria uma disputa para a Câmara dos Deputados, embora existam dúvidas jurídicas sobre os gastos já realizados durante a pré-campanha presidencial. Dirigentes avaliam se o ex-governador conseguiria recuar sem enfrentar questionamentos relacionados ao teto de despesas eleitorais.

A avaliação da ala conservadora é que, caso Zema mantenha os ataques a Flávio, sua candidatura presidencial poderá se tornar politicamente insustentável dentro da legenda. Reservadamente, dirigentes afirmam que o ex-governador hoje está isolado e perdeu espaço entre setores influentes do partido. A coluna No Ponto, responsável pela apuração, continuará acompanhando os desdobramentos da crise no Novo. Com: Oeste.





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