sábado, 6, junho , 2026 06:53

Morre bebê que recebeu soro de cobra por engano no lugar de vacina

Um bebê de 10 meses, que estava entre os 11 recém-nascidos que receberam soro contra picada de cobra por engano no lugar da vacina contra hepatite B, morreu na última terça-feira (2) em Joinville, Santa Catarina. José Alfredo de Campos faleceu após ser internado com um quadro suspeito de bronquiolite viral. A família do menino acusa de negligência o hospital que prestou o primeiro atendimento, além de apontar que a criança apresentava baixa imunidade e problemas de saúde recorrentes desde o erro vacinal ocorrido em julho de 2025. Não há confirmação oficial de que a infecção tenha relação com a troca dos medicamentos.

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O quadro de saúde do bebê começou a se deteriorar no domingo (31), quando apresentou febre. Com a piora dos sintomas na segunda-feira (1º), a mãe, Leila de Campos, levou o filho ao Hospital São Lucas, administrado pela prefeitura de Major Vieira, onde a família reside. Durante o atendimento, a médica plantonista identificou desidratação e baixa saturação de oxigênio. Um exame de raio-X do pulmão apontou sinais de bronquiolite viral, uma inflamação das vias aéreas que causa acúmulo de secreção e dificuldade respiratória. A mãe questiona o motivo de a transferência para uma unidade especializada não ter sido solicitada no mesmo dia, visto o estado de abatimento da criança.

A transferência para o Hospital Infantil Dr. Jeser Amarante Faria, em Joinville, só ocorreu na terça-feira (2). Devido à gravidade do quadro, o menino precisou ser intubado para a viagem. Segundo a mãe, a própria equipe do Samu demonstrou indignação com o estado crítico em que a criança foi mantida no hospital local antes do pedido de remoção. Leila foi impedida de acompanhar o filho na ambulância e precisou viajar de carro, chegando ao destino uma hora e meia depois. Apenas dez minutos após ser informada de que José Alfredo passava por procedimentos médicos na nova unidade, ela recebeu a notícia do falecimento. A causa da morte será atestada por um laudo técnico que deve ser emitido em até 45 dias.

A falha na vacinação que marcou os primeiros dias de vida da criança ocorreu no Hospital Santa Cruz de Canoinhas, quando 11 bebês receberam doses de soro antibotrópico no lugar da vacina. O soro é indicado para tratar picadas de serpentes, como jararacas. Na ocasião, as autoridades de saúde informaram que nenhum dos recém-nascidos apresentou efeitos colaterais imediatos. A mãe de José Alfredo, no entanto, relata que o filho vivia doente, necessitava de antibióticos com frequência e era tratado apenas com paliativos nas idas aos postos de saúde de Major Vieira.

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Todas as instituições envolvidas no caso se manifestaram por meio de notas oficiais. A prefeitura de Major Vieira expressou solidariedade à família e negou negligência, afirmando que o atendimento priorizou protocolos assistenciais para pediatria e manteve o monitoramento contínuo dos sinais vitais do paciente. A gestão municipal também argumentou que o raio-X indicava apenas uma pequena alteração no pulmão, o que não caracterizava diagnóstico definitivo. O Samu lamentou o desfecho e informou que sua Superintendência de Urgência e Emergência está apurando a conduta da equipe que barrou o embarque da mãe na ambulância.

Por sua vez, o Hospital Santa Cruz de Canoinhas emitiu uma nota de pesar, mas enfatizou que a aplicação incorreta do soro antiofídico no ano passado correspondeu a apenas 0,5 ml e não possui relação causal conhecida com a bronquiolite. A prefeitura de Canoinhas reforçou as condolências e garantiu que cumpriu com todas as medidas de acompanhamento clínico determinadas na época do erro vacinal.

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noticia por : UOL