O Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou na segunda-feira, 9 de junho, uma carta direcionada aos evangélicos brasileiros na qual busca ampliar o diálogo com esse segmento religioso. O documento foi apresentado em meio às articulações políticas para as eleições de 2026 e procura responder a críticas relacionadas à atuação da legenda junto às igrejas.
Na carta, o partido afirma que os governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff preservaram a liberdade religiosa, a liberdade de culto e a autonomia das instituições religiosas. O texto também sustenta que não houve iniciativas para restringir a atuação das igrejas durante as administrações petistas.
“O Estado brasileiro é laico, mas não é antirreligioso”, afirma o documento ao defender a convivência entre diferentes manifestações de fé e o papel das igrejas na sociedade.
A carta também critica o uso da religião em disputas políticas. Sem mencionar nomes ou grupos específicos, o PT afirma que símbolos religiosos, púlpitos e lideranças têm sido utilizados para promover interesses eleitorais e partidários. Segundo a legenda, esse processo prejudica tanto o debate democrático quanto a missão espiritual das igrejas.
O texto defende que a fé não seja utilizada como instrumento de manipulação eleitoral nem para estimular medo, desinformação ou divisões dentro das comunidades religiosas. Em outro trecho, o partido afirma que valores religiosos não devem ser apropriados por correntes políticas específicas.
Ao abordar a presença das igrejas na sociedade, a legenda destaca a atuação de comunidades evangélicas em áreas como assistência social, recuperação de dependentes químicos, apoio a famílias em situação de vulnerabilidade e desenvolvimento de ações comunitárias.
O documento também reafirma a defesa da liberdade religiosa para todas as crenças e cita o diálogo mantido por governos petistas com diferentes segmentos religiosos, incluindo evangélicos, católicos, judeus, espíritas e representantes de religiões de matriz africana.
A divulgação da carta ocorre em um momento de aproximação de partidos e lideranças políticas com o eleitorado evangélico, considerado um dos grupos de maior influência no cenário eleitoral brasileiro. Nas últimas décadas, o crescimento desse segmento ampliou sua relevância nas disputas presidenciais e legislativas.
Segundo integrantes do partido, a iniciativa busca responder à percepção negativa que parte dos evangélicos desenvolveu em relação ao PT ao longo dos anos. O documento também procura contestar acusações de que governos petistas teriam promovido perseguição religiosa ou ameaçado a liberdade das igrejas.
“O governos do PT nunca se opuseram às igrejas”, afirma a carta, que atribui parte das críticas recebidas pela legenda à disseminação de informações consideradas incorretas por seus dirigentes.
Analistas políticos apontam que a iniciativa integra a estratégia do partido para ampliar o diálogo com setores religiosos antes das eleições de 2026. A repercussão do documento deverá ser acompanhada por lideranças religiosas e partidos políticos diante da importância do voto evangélico nas próximas disputas eleitorais.


