quinta-feira, 11, junho , 2026 02:09

Ministério da Saúde suspende vacina após registrar mortes


Entre janeiro e maio de 2026, 501 mil brasileiros receberam a vacina Butantan-DV contra a dengue, cuja aplicação foi temporariamente suspensa pelo Ministério da Saúde na última segunda-feira (8).

A decisão ocorreu após o registro de casos graves entre pessoas imunizadas, incluindo duas mortes. A maior parte das doses (417,4 mil, ou 83% do total) foi destinada a profissionais da atenção primária à saúde. Outras 83,6 mil doses foram usadas em programas de vacinação ampliada em Botucatu (SP), Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e na região de Araguaína (TO).

Dados do governo federal apontam que 3.703 vacinados (0,7% do total) apresentaram sintomas compatíveis com dengue após a imunização, como febre alta, dores no corpo, manchas na pele, náuseas e cansaço. Também foram registrados 42 casos considerados graves, com sintomas como dor abdominal, vômitos persistentes e sangramentos. Três pacientes precisaram de internação em UTI, e dois deles morreram.

Ministro Afirma que Reações Foram “Absolutamente Inesperadas”

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que os episódios ainda serão investigados e que não há comprovação de ligação entre a vacina e os óbitos, mas o governo optou por interromper a aplicação. “As reações foram absolutamente inesperadas”, disse Padilha, destacando que os eventos não haviam sido identificados nos estudos clínicos nem nas fases 2 e 3 dos testes que antecederam a aprovação pela Anvisa.

O ministério informou que a vacina suspensa foi produzida pelo Instituto Butantan e não tem relação com os lotes contratados junto à empresa chinesa WuXi Vaccines para ampliar a produção nacional.

A orientação para quem recebeu o imunizante nos últimos 21 dias é observar sintomas de dengue e procurar atendimento médico em caso de agravamento. A Butantan-DV, de dose única, foi aprovada pela Anvisa em novembro de 2025 após acompanhamento de cerca de 16 mil voluntários, segundo o Pleno News.

Os Casos Mais Graves

Segundo o Ministério da Saúde, os três casos mais graves ocorreram entre março e abril: uma mulher de 39 anos apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após a vacinação, evoluiu para dengue grave com choque, foi internada em UTI e recebeu alta; uma paciente de 48 anos desenvolveu sintomas de dengue grave que evoluíram para meningoencefalite 19 dias após a imunização e morreu; um homem de 58 anos apresentou febre cinco dias depois da vacina, progrediu para dengue grave com choque refratário e morreu. O ministério segue investigando os casos.





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