Quase dois anos após um incêndio de grandes proporções destruir seu templo histórico, a Primeira Igreja Batista de Dallas realizou uma cerimônia para marcar o início oficial das obras de reconstrução do templo.
O evento aconteceu em 07 de junho e reuniu líderes da igreja, membros da congregação e autoridades locais. A cerimônia foi conduzida pelo pastor sênior Robert Jeffress, acompanhado pelo pastor executivo Ben Lovvorn, integrantes do comitê responsável pelo projeto e pelo prefeito de Dallas, Eric Johnson. Fundada em 1868, a igreja reúne atualmente mais de 16 mil membros.
Em 19 de julho de 2024, um incêndio destruiu o santuário original, concluído em 1890. Apesar da gravidade do incidente, não houve feridos. Após a perda da estrutura, a igreja lançou a iniciativa Mission 1:8, destinada à arrecadação de recursos para reconstruir o templo e preservar sua história.
O projeto está orçado em US$ 130 milhões e tem previsão de conclusão para o Domingo de Páscoa de 2028.
Durante a cerimônia, Lovvorn destacou a trajetória da congregação ao longo de sua história. Ele afirmou: “Hoje é um dia histórico na vida da nossa igreja, um marco em que lembramos a fidelidade e a bondade de Deus para conosco nos últimos 158 anos. Mas comemoramos este dia acreditando que o melhor ainda está por vir”.
Ao recordar o incêndio, acrescentou: “Mesmo na noite de 19 de julho de 2024, enquanto aquelas chamas rugiam neste mesmo lugar, pudemos dizer que Deus faz com que todas as coisas cooperem para o bem daqueles que o amam e são chamados segundo o seu propósito”.
O prefeito Eric Johnson também participou da cerimônia e ressaltou a importância da igreja para a cidade. Segundo ele, “Quando o santuário histórico foi destruído por um incêndio em 2024, toda a nossa cidade lamentou essa perda. No entanto, o que testemunhamos nos dias que se seguiram foi um lembrete de que uma igreja é mais do que um prédio”. Ele acrescentou: “São pessoas unidas pela fé, propósito e esperança”.
Um dos momentos simbólicos do evento ocorreu quando um guindaste posicionou uma pedra resgatada do santuário destruído. A peça, que contém uma Bíblia esculpida e uma âncora, sobreviveu ao incêndio e será incorporada ao novo edifício.
Lovvorn explicou o significado dos símbolos. “A Bíblia, é claro, representa a Palavra de Deus, que é nossa autoridade, nosso fundamento e uma verdade imutável que tem guiado nossa igreja por gerações”. Sobre a âncora, declarou: “A âncora nos lembra da esperança segura e firme em Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador”.
Para os líderes da igreja, a reconstrução representa uma oportunidade de ampliar o ministério para as próximas gerações sem deixar de preservar a herança histórica da congregação. Robert Jeffress resumiu essa visão ao afirmar: “Prédios podem queimar. Mas igrejas não podem ser queimadas. Uma igreja construída sobre o Senhor Jesus Cristo jamais poderá ser destruída. As portas do inferno não prevalecerão”.
De acordo com o projeto apresentado, o novo santuário preservará elementos históricos e incorporará recursos modernos. O espaço será reorientado no eixo norte-sul, com o púlpito posicionado na extremidade norte, seguindo o conceito do projeto original de 1890 e inspirado no interior construído em 1908. O templo contará com bancos acolchoados em vermelho escuro, tubos de órgão, vitrais restaurados e uma estrutura de madeira exposta.
Segundo Lovvorn, o destaque arquitetônico será um conjunto de 16 novos vitrais, distribuídos em oito unidades de cada lado do santuário. As obras retratarão a história da redenção bíblica, inspiradas no sermão “O Fio Escarlate Através da Bíblia”, de W.A. Criswell. As imagens representarão oito cenas do Antigo Testamento e oito do Novo Testamento, abrangendo desde a criação até o retorno de Cristo.
A estrutura também incluirá um espaço multiuso com capacidade para aproximadamente 550 pessoas, equipado com tecnologia atualizada para eventos e atividades da igreja. Escadas rolantes e elevadores oferecerão acesso direto ao ambiente, enquanto a entrada principal pelo Centro Criswell contará com um saguão ampliado para convivência.
Documentos da igreja indicam que a maior parte dos custos será coberta pelo seguro. A participação financeira direta da congregação está estimada em cerca de US$ 27 milhões. Entre os principais apoiadores do projeto está David Green, que realizou uma doação equivalente de US$ 7 milhões. A família de Jim Donald contribuiu com outros US$ 7 milhões, elevando o total dessas doações para US$ 14 milhões. Membros da igreja também já contribuíram com mais de US$ 10 milhões para a reconstrução.


