terça-feira, 16, junho , 2026 04:15

Flávio busca consolidar apoio evangélico para conter a esquerda


O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem intensificado o uso de referências religiosas em sua comunicação política, com foco no eleitorado evangélico. A estratégia busca fortalecer o apoio de um segmento considerado decisivo para a disputa presidencial de 2026 contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Uma das principais demonstrações dessa aproximação ocorreu durante a Marcha para Jesus, realizada em São Paulo na quinta-feira, 5 de junho. O senador participou do evento ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e do prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes. Considerada uma das maiores manifestações religiosas do país, a Marcha para Jesus foi criada em 1993 e é organizada pela Igreja Renascer em Cristo.

Levantamento do Instituto Meio/Ideia, realizado entre 23 e 27 de maio de 2026 com 1.500 eleitores, aponta vantagem de Flávio Bolsonaro entre os evangélicos em um eventual segundo turno contra Lula. Segundo a pesquisa, o senador registra 66,6% das intenções de voto nesse segmento, enquanto o presidente aparece com 22,9%. O estudo também mostra que 74,1% dos evangélicos afirmam que Lula não merece um novo mandato.

A pesquisa indica ainda que a avaliação positiva do governo entre os evangélicos soma 23,3%, enquanto a avaliação negativa alcança 48,3%. O levantamento possui margem de erro de 2,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Paralelamente à participação em eventos religiosos, Flávio ampliou a presença de mensagens ligadas à fé em suas redes sociais. Em vídeos divulgados por sua equipe, o senador aparece em cultos, cita passagens bíblicas e associa sua atuação política a conceitos como missão, propósito e batalha espiritual.

Em uma das gravações, afirmou: “Eu sei que esta não é uma batalha só aqui na Terra. É uma batalha espiritual, acima de tudo”. Em outro vídeo, utilizou a referência bíblica ao manto de Elias para comparar sua trajetória política a uma missão recebida, em meio ao processo de consolidação de sua candidatura no campo conservador.

As publicações também passaram a incluir críticas ao presidente Lula. Em uma delas, o senador afirmou que estaria “com Deus”, enquanto associou o adversário político ao “diabo”.

Segundo a Gazeta do Povo, o teólogo Dione Caruzo avalia que esse tipo de discurso faz parte de uma estratégia já consolidada entre lideranças conservadoras ligadas ao eleitorado evangélico. Segundo ele, a reafirmação de valores religiosos costuma ser utilizada para preservar a unidade da base de apoiadores em momentos de disputa política.

Caruzo afirma ainda que Flávio Bolsonaro é visto por parte das lideranças evangélicas como sucessor político do ex-presidente Jair Bolsonaro dentro desse segmento. “Ele já é herdeiro simbólico de Jair Bolsonaro dentro das igrejas. Ele só perde essa herança política se mudar o discurso ou começar a perder o apoio das lideranças”, declarou.

Enquanto Flávio busca ampliar sua presença entre os evangélicos, o governo Lula tenta reduzir a resistência histórica enfrentada nesse grupo. Como parte dessa estratégia, o advogado-geral da União, Jorge Messias, participou novamente da Marcha para Jesus.

Presbítero batista, Messias tornou-se um dos principais interlocutores do governo junto às lideranças evangélicas. Apesar dos esforços de aproximação, Caruzo avalia que a rejeição ao lulismo permanece elevada entre os evangélicos e foi intensificada após o crescimento do movimento bolsonarista.

“Nos dois primeiros mandatos de Lula, essa resistência não era tão alta como atualmente. Depois do surgimento do movimento bolsonarista, fomentando princípios defendidos pela igreja, a oposição ao lulismo e ao petismo foi potencializada. A resistência continua consolidada e alta”, afirmou.





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