quinta-feira, 18, junho , 2026 07:53

Jaques Wagner diz que sua relação com Vorcaro é “praticamente zero”


Em entrevista exclusiva à BandNews TV, nesta quinta-feira (18), o senador Jaques Wagner, do PT da Bahia, afirmou que sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro é “praticamente zero” e que nunca recebeu dinheiro do Banco Master. O parlamentar, que é líder do governo no Senado, e o empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, foram alvos da nona fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), deflagrada nesta quinta.

Jaques Wagner é apontado como beneficiário central de pagamentos, favorecimentos e aquisições patrimoniais vinculados a Augusto Lima e ao Banco Master, por intermédio de familiares e pessoas de confiança. É o caso da compra de um apartamento de R$ 2,4 milhões em Salvador, além de pagamentos e repasses de mais de R$ 5 milhões à BN Financeira, ligada à família do Senador.

Durante a operação de busca e apreensão em endereços ligados a Jaques Wagner, a PF encontrou milhares de dólares e euros em espécie. À BandNews TV, Jaques Wagner disse estar tranquilo quanto à origem do dinheiro apreendido, por se tratar de recursos do Senado para o custeio de diárias em viagens internacionais. Ele afirmou que Augusto Lima intermediaria a compra do apartamento citado na investigação da PF.

“Do ponto de vista do dinheiro, eu estou absolutamente tranquilo. Nunca recebi dinheiro de ninguém, muito menos do Master ou do Augusto Lima. Então, eu estou absolutamente à vontade. Sobre o apartamento, na verdade, é um apartamento que está em construção, aqui no Horto. Eu tinha interesse de dar um apartamento ou de ajudar minha filha a comprar um apartamento desse. Como o Guga, o Augusto Lima, é um investidor, eu disse a ele: ‘Você pode comprar, depois eu vou recomprar’, porque o apartamento está em construção, não está pronto, e eu teria que vender o apartamento de minha filha para poder complementar e pagar o apartamento, ou ela financiar”, explicou o senador.

Candidatura mantida

Apesar de ser alvo da nova fase da operação da PF, que mira um esquema de irregularidades envolvendo instituições do sistema financeiro nacional, Jaques Wagner afirmou que sua candidatura ao Senado está mantida:

“Olha, primeiro, em relação à minha candidatura, está absolutamente mantida. Eu estou muito seguro de tudo o que eu fiz, estou muito seguro da minha vida pessoal. Eu não tenho CNPJ, eu só tenho CPF, não tenho empresa, não tenho nada. Eu tenho um apartamento, que é o apartamento em que eu moro, e o meu sítio lá em Andaraí. Esse é o meu patrimônio. Você deve se lembrar que, em 2018, quando eu também fui candidato ao Senado, teve uma busca e apreensão na minha casa por conta da Fonte Nova, em 18 de fevereiro. Desta vez, foi em junho.”

Jaques Wagner declarou ainda que recebeu um telefonema do presidente Lula “para prestar solidariedade”, mas que a mudança na liderança do governo no Senado não foi tratada na conversa.

PF investiga atuação no Senado

Os agentes da Polícia Federal também apuram a atuação de Jaques Wagner no Senado em temas de interesse do Banco Master. Por exemplo, crédito consignado; aumento do limite de cobertura do FGC, o Fundo Garantidor de Créditos; além da fiscalização e do controle da operação de aquisição do Banco Master pelo BRB.

A operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que determinou ainda a suspensão de passaportes e a proibição de contato entre os investigados.

Segundo a PF, a relação entre Jaques Wagner e Augusto Lima seria antiga, próxima e marcada por elevado grau de confiança. Há registros de mensagens, áudios, chamadas de voz, além de encontros presenciais, viagens em jatinhos particulares e interações familiares.

Em nota, os advogados de Augusto Lima disseram que a operação da Polícia Federal era desnecessária e que o empresário sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública.

*Com colaboração de Renato Ribeiro




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