quarta-feira, 1, julho , 2026 10:59

O Itamaraty precisa de uma reforma urgente em sua estrutura

O diplomata e pesquisador Marcos Degaut defende que o Itamaraty deixou de atuar como um órgão de Estado para servir aos interesses de uma corporação interna. O debate foca na necessidade de modernizar a chancelaria para garantir que o Brasil recupere sua influência mundial.

Qual é a principal crítica à estrutura atual do Itamaraty?

A instituição é criticada por ter se tornado uma corporação com vida própria, onde o corpo funcional se comporta como dono do instrumento estatal. Isso causa uma confusão entre a carreira diplomática e a função de chancelaria. Quando o servidor prioriza interesses do grupo ou ideologias em vez de objetivos estratégicos da Nação, o Brasil perde capacidade de negociação e influência efetiva no cenário internacional.

O que significa o conceito de rank-in-person usado na diplomacia brasileira?

É um sistema herdado do século 19 onde o diplomata sobe na carreira e ganha aumentos por causa de seu título ou tempo de casa (posto), e não pelas tarefas que realmente realiza (função). Isso difere de países como o Reino Unido, onde o profissional é avaliado pelo que entrega em cada cargo específico. No modelo brasileiro, falta uma prestação de contas clara, dificultando a medição do desempenho real de cada funcionário.

Como a ideologia do Sul Global tem afetado a política externa brasileira?

O termo, que deveria ser uma análise econômica sobre países em desenvolvimento, virou uma identidade política. Alinhar-se automaticamente a países como Venezuela, Irã ou China por questões simbólicas afasta o Brasil das democracias ocidentais e de mercados que compram produtos brasileiros de tecnologia. O resultado é uma diplomacia de muita retórica, mas poucas decisões operacionais que tragam benefícios concretos ao país.

Por que temas diplomáticos importantes acabaram migrando para a Presidência?

O deslocamento da diplomacia para o Palácio do Planalto é um sintoma de que o Itamaraty não entrega resultados na velocidade exigida. Governos de diferentes partidos notaram que a chancelaria é lenta ou pouco conectada com a agenda política real. Por isso, o presidente muitas vezes precisa tratar pessoalmente de temas técnicos, o que gera uma inflação de viagens internacionais sem acordos estruturantes ou ganhos tecnológicos.

Quais são as propostas sugeridas para modernizar o serviço diplomático?

A reforma central seria adotar o sistema de rank-in-position, vinculando a promoção ao desempenho e a avaliações externas. O objetivo é alinhar a diplomacia a vetores práticos: defesa comercial, proteção do agronegócio, acesso a minerais estratégicos e segurança nacional. Defende-se que a chancelaria deve voltar a ser uma ferramenta do Estado brasileiro, e não uma seita fechada que zela apenas pelos próprios privilégios.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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noticia por : Gazeta do Povo