quinta-feira, 2, julho , 2026 04:07

Governo Lula adota estética da favela nas redes sociais

O governo Lula mudou sua comunicação digital sob o comando do marqueteiro Sidônio Palmeira. A estratégia utiliza funk, gírias e memes para tentar ‘furar a bolha’ e gerar engajamento, mas enfrenta críticas por distorções da realidade e pelo alto investimento de dinheiro público.

O que significa a nova estética utilizada pelo governo nas redes sociais?

Trata-se de uma linguagem baseada na cultura das periferias urbanas, o chamado ‘Brazilcore’ ou ‘favela glam’. O governo utiliza elementos como batidões de funk, o personagem Zé Gotinha fazendo ‘passinhos’ em vielas e memes com cães vira-latas. O objetivo é parecer mais próximo do povo e menos institucional, tentando fazer com que o conteúdo oficial se misture ao que as pessoas vêem naturalmente em seus feeds de notícias.

Qual é o papel da ‘cosmética da fome’ nessa estratégia de comunicação?

Críticos e especialistas usam esse termo para descrever quando o governo foca apenas na parte vibrante e criativa da favela para gerar propaganda, mas ignora o lado difícil da realidade. Ao transformar a pobreza em uma estética ‘bonita’ e vendável para ganhar curtidas, o Estado corre o risco de dar mais espaço para a imagem da miséria do que para soluções concretas contra a violência, o crime e a falta de saneamento básico nessas comunidades.

Quanto custou essa mudança na estratégia digital do governo federal?

A operação é cara. Em 2025, os gastos com publicidade digital saltaram para cerca de R$ 234 milhões, representando mais de 30% da verba total. Apenas no primeiro semestre do ano passado, o aumento foi de 110% em relação ao ano anterior. Desse total, R$ 2 milhões foram destinados especificamente para pagar influenciadores digitais, muitos deles escolhidos justamente por serem representantes das periferias urbanas.

Quais são os riscos apontados por especialistas sobre esse modelo?

Especialistas alertam para o risco de transformar a comunicação pública em entretenimento puro. Quando o governo se comporta como um ‘influenciador’, ele pode simplificar demais temas complexos para agradar ao algoritmo das plataformas. Outro perigo é o ‘cosplay político’: usar símbolos da periferia apenas como embalagem de marketing sem que haja uma mudança real nas políticas públicas ou nos direitos garantidos para essa população.

Essa comunicação representa toda a diversidade cultural do Brasil?

Não. Ao focar excessivamente na estética do funk e das favelas urbanas, o governo acaba criando uma espécie de ‘ranking cultural’. Outras realidades brasileiras, como a cultura sertaneja, o caipira paulista, os gaúchos ou os ribeirinhos da Amazônia, ganham muito menos destaque. A estratégia prioriza aquilo que é mais fácil de viralizar rápido no TikTok e no Instagram, deixando de lado a variada diversidade regional do interior do país.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

noticia por : Gazeta do Povo