O Partido Comunista Chinês expulsou na terça-feira (14) Ma Xingrui, um de seus funcionários mais qualificados, acusando-o de corrupção e abuso de poder para obter favores e sexo.
Ma, ex-secretário do partido para a região noroeste de Xinjiang, na China, é agora o terceiro membro do Politburo, o órgão máximo de governo, a ser destituído do cargo enquanto o líder supremo da China, Xi Jinping, direciona sua campanha anticorrupção para os níveis mais altos de seu governo.
A expulsão de Ma representa uma queda dos mais altos escalões do poder na China. Durante muitos anos, ele foi uma das figuras políticas mais promissoras do país, destacando-se como engenheiro e cientista.
Sua destituição do Politburo aponta para o expurgo mais profundo do principal órgão político desde que Deng Xiaoping estabeleceu as novas regras que governam a China moderna desde a década de 1980. O Politburo agora conta com 21 membros após a expulsão de He Weidong e Zhang Youxia, ambos militares.
“Antigamente, se você alcançasse o posto de Politburo, seria necessário algo muito, muito, muito grave antes de ser derrubado”, disse Steve Tsang, diretor do Instituto China da Soas (School of Oriental and African Studies) em Londres. “Isso foi mudado por Xi. Agora, membros do Politburo caem como pinos de boliche.”
“Ao derrubar vários deles, ele está enviando uma mensagem clara: ‘Comportem-se e façam o que lhes é ordenado’.”
Autoridades anticorrupção colocaram Ma sob investigação em abril. Os investigadores afirmaram na terça-feira ter descoberto que ele havia “violado gravemente a disciplina política” e era suspeito de cometer atos de suborno e de “corrupção familiar em larga escala”.
Ma, 66, é acusado de aceitar dinheiro e outros presentes de forma indevida, ajudar parentes a comprar imóveis com preços reduzidos, além de participar de “transações de poder por sexo e dinheiro por sexo”, de acordo com a Comissão Central de Inspeção Disciplinar, o órgão de vigilância anticorrupção da China.
Descobriu-se também que ele “aceitou ilegalmente enormes somas de dinheiro e propriedades” por meio de parentes e associados, disse o comunicado, sem entrar em detalhes.
O documento descreveu o caso como “extremamente grave” e disse que ele foi expulso do partido e removido de cargos públicos. As autoridades confiscaram o que descreveram como seus ganhos ilícitos, e seu caso criminal está agora nas mãos dos promotores, de acordo com a declaração.
Ma se destacou inicialmente no setor aeroespacial dominado pelo Estado, onde ascendeu para se tornar um executivo sênior da China Aerospace Science and Technology Corp., fabricante de mísseis e espaçonaves do país.
Outrora elogiado como “o jovem marechal da indústria aeroespacial” pelo Diário do Povo, o jornal oficial do Partido Comunista, Ma ficou reconhecido por ajudar a construir e lançar o primeiro satélite oceanográfico da China. Ele também supervisionou o lançamento de dezenas de satélites espaciais e várias das missões espaciais tripuladas mais ambiciosas da China.
Posteriormente, ele subiu na hierarquia para supervisionar a região do extremo oeste de Xinjiang, onde autoridades ocidentais e grupos de direitos humanos afirmaram que a China usou programas de trabalho patrocinados pelo Estado para coagir o povo uigure e outras minorias a trabalhar em fábricas.
Em 2022, durante seu mandato, um incêndio fatal na capital Urumqi desencadeou protestos em todo o país, contra as rígidas políticas da pandemia que haviam prejudicado os esforços de resgate.
Semanas após os protestos, vistos como o maior desafio público à liderança de Xi, o governo desmantelou suas duras políticas de “Covid zero”.
No ano passado, Zhang Jianhua, um dos subordinados de Ma na Administração Estatal de Ciência, Tecnologia e Indústria para Defesa Nacional, foi investigado e expulso do partido por “aceitar presentes e dinheiro” e usar sua posição para “buscar benefícios para seus parentes”.
Guo Yonghang, outro subordinado da época em que Ma trabalhou na cidade de Shenzhen, no sul do país, foi expulso do partido em março e acusado de “graves violações de disciplina e lei”.
noticia por : UOL



