sexta-feira, 17, julho , 2026 07:02

Como a faixa sobre as Malvinas na Copa do Mundo dividiu o governo da Argentina

Uma faixa, empunhada pelos jogadores argentinos ainda no campo após a vitória de 2×1 contra a Inglaterra, agitou o cenário político do país. “Las Malvinas son argentinas”, dizia a faixa, repetindo uma frase inscrita em muitos muros por Buenos Aires. O ato provocou reações diversas entre a classe política. Enquanto o país se unia em torno de Messi, o presidente Javier Milei e sua vice-presidente, Victoria Villarruel, se dividiram.

A controvérsia sobre as Ilhas Malvinas, ou “Falklands”, como os ingleses a chamam, já era preocupação da FIFA, a entidade máxima do futebol. A federação deixou claro que manifestações de cunho político são proibidas dentro dos estádios. Inclusive, os mesmos dizeres foram motivo de punição, em junho de 2014, em amistoso entre Argentina e Eslovênia. A AFA (Associação Argentina de Futebol) foi sancionada com aproximadamente 32 mil euros. A nova manifestação segue pendente de investigação pelo Comitê Disciplinar da entidade.

Milei, ainda que simpático à causa, repreendeu o cartaz da semifinal: “As Malvinas se recuperam com diplomacia, não com gestos de patriotismo barato e berreta. Não se deve cair em slogans populistas, nacionalistas, rançosos”, disse o mandatário em uma entrevista após o jogo. Porém, o mesmo gesto recebeu uma reação bem diferente da vice-presidente, Victoria Villarruel.

“Piratas usurpadores”

Villarruel foi eleita com Milei, na onda da direita que atingiu o país recentemente. Mas, enquanto ele está mais próximo dos anarcocapitalistas e entusiastas da Escola de Chicago (escola de pensamento econômico que defende o livre mercado), ela se alia a uma direita com mais valores. Herdeira direta de uma família de militares, a vice-presidente costuma defender as pautas da classe e é fervorosa devota de Virgem Maria. “Católica e Argentina. Filha de um veterano da Guerra das Malvinas”, resume o seu perfil no X.