O candidato presidencial Gabriel Attal reacendeu a discussão sobre a legalização da barriga de aluguel na França. A proposta, que visa autorizar a prática hoje proibida, gera forte resistência política e ética, colocando o ex-primeiro-ministro em conflito direto com Emmanuel Macron.
O que propõe Gabriel Attal sobre a barriga de aluguel?
O ex-primeiro-ministro Gabriel Attal, atual candidato à presidência para 2027, defende um debate nacional para legalizar a ‘gestação por substituição’ (barriga de aluguel) na França. Ele associou a pauta ao seu desejo pessoal de ser pai junto com seu parceiro. Atualmente, qualquer forma de barriga de aluguel é ilegal em solo francês, e o presidente Emmanuel Macron já declarou anteriormente que essa é uma ‘linha vermelha’ que ele não pretende cruzar.
Quem se opõe à legalização da prática no país?
A resistência é variada e une diferentes campos políticos. Ex-ministros da Justiça e da Saúde publicaram um artigo condenando a ideia, afirmando que os corpos das mulheres não devem estar disponíveis para satisfazer desejos alheios. Curiosamente, a iniciativa dessa crítica partiu de Aurore Bergé, que é do mesmo partido de Attal. Grupos feministas, conservadores e anticapitalistas também criticam o que chamam de ‘comercialização da reprodução’.
Como a barriga de aluguel é vista pela opinião pública francesa?
Pesquisas indicam que existe um apoio apertado da maioria dos franceses à legalização, mas esse suporte cai consideravelmente quando o tema envolve casais do mesmo sexo. Especialistas observam que o entusiasmo pela prática parece estar diminuindo, impulsionado pelo ativismo de organizações contrárias à técnica e pela preocupação com a exploração de mulheres vulneráveis.
Qual é o impacto internacional desse debate?
A França exerce grande influência em questões bioéticas na Europa. Se o país legalizar a barriga de aluguel, especialistas acreditam que isso causará um efeito cascata em outras nações europeias. Paralelamente, há uma pressão global contrária: relatores da ONU e países como Itália e a Santa Sé pedem uma moratória internacional, argumentando que a prática pode ser uma forma moderna de tráfico humano e exploração feminina.
Quais são as alternativas sugeridas pelos críticos?
Aqueles que são contra a mudança na lei argumentam que a queda nas taxas de natalidade e o desejo de ter filhos devem ser resolvidos por meio de políticas de apoio às famílias e reformas no sistema de adoção. Para esses críticos, a solução não deve passar pela criação de um mercado reprodutivo, mas sim pelo fortalecimento de estruturas sociais que já existem e respeitam a dignidade da mulher e da criança.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
noticia por : Gazeta do Povo



