A conquista espanhola da Copa do Mundo de 2026, neste domingo (19), foi alcançada com disciplina no setor defensivo e eficiência dos atacantes.
A campanha do bicampeonato da Roja contou com 14 gols marcados e apenas 1 sofrido, superando o saldo do Brasil (12) comandado por Mario Lobo Zagallo, em 1970, no México e igualando a França (13), em 1998 , campeã jogando em casa.
Foram sete vitórias conquistadas pelos comandados de Luis de la Fuente e um empate sem gols, diante da seleção de Cabo Verde, logo na estreia do Mundial da Fifa.
Se os adversários da final marcaram grande parte dos gols na etapa complementar das partidas e em duas prorrogações, a estratégia espanhola ao longo do Mundial foi a de evitar o drama vivido pelos sul-americanos.
Antes do apito inicial no MetLife Stadium, em Nova Jersey, a Espanha tinha sete tentos anotados na etapa inicial dos jogos. Isto é, 53% dos 13 até então.
Os outros seis vieram no segundo tempo, mas apenas um foi marcado nos acréscimos, na fase de mata-mata: a vitória de 1 a 0 sobre Portugal, de Cristiano Ronaldo.
Até o confronto deste domingo, os rivais ibéricos foram os que demandaram mais paciência dos espanhóis, e na ocasião o gol veio no apagar das luzes.
O roteiro deste domingo foi parecido com o da partida contra os portugueses —só que ainda mais longo.
Foram 106 minutos de toque de bola paciente e contenção dos meio-campistas argentinos até chegarem à vantagem.
A Espanha teve 100% de aproveitamento na defesa até a pausa para a hidratação: 11 recuperações, quatro desarmes, duas interceptações e um corte, segundo o Sofascore, site de estatísticas de atletas e competições esportivas.
Já na ida para a prorrogação, a Argentina ainda não tinha levado perigo à meta de Unai Simón. Os espanhóis somavam 583 passes trocados e 47 duelos vencidos contra a seleção treinada por Lionel Scaloni, além das 15 finalizações contra nenhuma dos argentinos.
Em 90 minutos, a Roja teve 66% de controle da bola. A paciência durou até a prorrogação. Foi questão de tempo até que Ferrán Torres abrisse o placar, aos 106min do tempo extra.
Se os resultados no futebol nem sempre são justos, o que se viu no estádio de Nova Jersey foi a prevalência de uma campanha sóbria e regular.
Os espanhóis tiveram ao menos 64% de posse de bola em seis dos oito jogos —chegando a impressionantes 74% no empate com Cabo Verde. Na vitória por 2 a 1 contra os belgas, nas quartas de final, a Roja controlou os rumos do jogo em 68% do tempo.
Em seis jogos, os passes certos da Espanha ficaram acima de 550, chegando a 734 (Cabo Verde) e 668 (Arábia Saudita). Mesmo com a posse de bola parelha na semifinal —51% a 49% em favor dos Bleus—, a Espanha teve sucesso em 427 passes, ante os 395 da França.
Contra a Alviceleste, nada menos do que 755 passes certos, contra 327 dos argentinos, que chutaram só duas vezes contra o gol de Unai Simón nos 120 minutos da decisão.
Coincidênia ou não, a campanha vitoriosa de 2026 superou alguns números de 2010, ano em que a Espanha entrou para o rol seleto de países campeões do mundo.
O primeiro título, na África do Sul, foi marcado por solidez defensiva. Os espanhóis levantaram a taça tendo sofrido apenas dois gols. No ataque foram oito marcados —metade do que fez a Alemanha, que terminou em terceiro lugar. Campeões com seis de saldo.
Passados 16 anos, a Roja mostrou ao segundo melhor ataque da Copa —em plena decisão— como o equilíbrio buscado por De la Fuente foi mais eficiente que o drama dos argentinos. Defesa tremendamente sólida, tendo sofrido apenas um gol em todo o torneio, contra a Bélgica, e marcando seis tentos a mais do que na campanha de 2010.
Até a semifinal, os argentinos anotaram impressionantes 19 gols no Mundial, mas também expuseram mais a meta defendida por Dibu Martínez, com sete gols sofridos.
Curiosamente, os dois países entraram em campo na final com o mesmo saldo de gols (12). No fim, o caneco ficou com a Roja, que precisou de só mais um para chegar ao bicampeonato.
noticia por : UOL



