quinta-feira, 23, julho , 2026 04:12

Pan Am encontrado no fundo do mar: por que avião demorou 74 anos para ser descoberto?


Destroços de avião desaparecido há 74 anos são encontrados no mar
Foi uma etiqueta de mala que apareceu boiando na costa da Flórida que ajudou a resolver um dos maiores mistérios da aviação civil recente.
Em 2019, Russ Matthews, presidente da Air/Sea ​Heritage Foundation, viu uma notícia de jornal dizendo que havia sido encontrada a etiqueta da bagagem que estava no DC-4 batizado de “Clipper Endeavor”, que caiu no mar em 1952.
➡️ Os destroços de um avião da Pan Am que estava desaparecido havia 74 anos foram finalmente encontrados por exploradores no mar. A descoberta foi anunciada na terça-feira (21). O acidente, que ocorreu após a aeronave decolar de Porto Rico, matou 52 pessoas e mudou as normas de segurança da aviação comercial (leia mais abaixo).
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Mas por que a aeronave demorou tanto tempo para ser encontrada?
Em primeiro lugar, é preciso dizer que, desde os anos 1950, mais de meio século se passou até que as buscas pelo Clipper Endeavor fossem retomadas.
A história começa de fato em 2019, quando o pesquisador Russ Matthews leu uma notícia sobre uma etiqueta de bagagem do voo que havia aparecido na costa da Flórida.
Se nos anos 1950 os exploradores contavam com pouco mais do que mapas feitos à mão e diagramas de correntes marítimas, atualmente a tecnologia avançou muito mais: de sonares mais sofisticados até modelos matemáticos criados por inteligência artificial para estimar a localização provável dos destroços.
Investigadores acreditam que um dos principais motivos para a demora em encontrar o avião é que a aeronave, de modelo Douglas DC-4, se partiu em dois pedaços quando afundou no oceano.
O avião se acidentou ao realizar um pouso forçado no mar logo após decolar de Porto Rico, em 11 de abril de 1952.
A partir dali da etiqueta, Matthews passou anos analisando arquivos da Pan Am, da Guarda Costeira dos Estados Unidos e relatórios do então Conselho de Aeronáutica Civil, órgão que antecedeu a Administração Federal de Aviação (FAA).
No entanto, a chave para encontrar os destroços estava em registros de uma audiência realizada em Porto Rico sobre o acidente. Ali, foi encontrado um mapa que estimava o local da queda, elaborado por pilotos da Força Aérea que testemunharam o ocorrido enquanto realizavam um voo de treinamento na região.
Uma primeira tentativa de localizar os destroços, em 2024, fracassou por causa do mau tempo. Neste ano, porém, Matthews contou com a ajuda da empresa Deep Sea Vision, especializada em exploração submarina.
“Estamos todos surpresos e entusiasmados com essa descoberta, mas também nos sentimos humildes ao lembrar o que aconteceu naquele lugar há tanto tempo”, disse Russ Matthews, presidente da Air/Sea Heritage Foundation.
Destroços de avião desaparecido há 74 anos são encontrados no mar
Voo Pan Am 526A
O DC-4 da Pan Am perdeu potência logo após pouco depois de decolar de Porto Rico e fez um pouso forçado no oceano. O voo tinha como destino Nova York e levava 69 pessoas.
Os 17 sobreviventes disseram aos investigadores que todos os passageiros e tripulantes sobreviveram ao impacto.
O drama começou logo depois, já que muitos passageiros não encontravam os coletes salva-vidas, e a tripulação enfrentava dificuldades para retirar os botes infláveis.
Em poucos minutos, a aeronave afundou.
Os destroços foram localizados no mês passado por uma equipe que utilizou um drone submarino autônomo equipado com sonar de alta resolução. A fuselagem e a cauda do avião estavam a cerca de 2 mil pés de profundidade, o equivalente a aproximadamente 610 metros.
Esta imagem sem data, fornecida pela Fundação Histórica da Pan Am na terça-feira, 21 de julho de 2026, mostra o avião Clipper Endeavour
Pan Am Historical Foundation via AP
Segundo o especialista em segurança da aviação John Cox, o acidente se tornou um marco para a indústria.
“Este incidente se tornou um catalisador e ajudou a impulsionar avanços na segurança, como melhores equipamentos de flutuação e briefings pré-voo”, afirmou em entrevista à Associated Press.
“Portanto, este é um passo importante no caminho para o que hoje desfrutamos como segurança da aviação. Foi um grito de guerra na época.”
Atualmente, antes da decolagem, comissários orientam os passageiros sobre a localização das saídas de emergência, dos coletes salva-vidas e a forma correta de utilizá-los, um procedimento que ganhou força após o desastre.
Além do valor histórico, a descoberta também pode trazer esperança para familiares de vítimas de outros acidentes ocorridos no mar, como o desaparecimento do voo MH370 da Malaysia Airlines, em 2014, que levava 239 pessoas a bordo.
Anos de pesquisa
Imagem mostra o logotipo da Pan Am entre os destroços do Clipper Endeavou
Air/Sea Heritage Foundation e Deep Sea Vision via AP
Imagem mostra destroços do voo da Pan Am no fundo do mar
Air/Sea Heritage Foundation and Deep Sea Vision via AP
Em abril, uma embarcação da empresa que transportava um drone submarino equipado com sensores capazes de detectar a aeronave iniciou as buscas.
Com base nas pesquisas históricas e em dados meteorológicos da época do acidente, os exploradores delimitaram uma área de cerca de 34 quilômetros quadrados.
O drone encontrou os destroços logo na primeira varredura, embora a equipe só tenha percebido isso quando o equipamento retornou à superfície e as imagens foram descarregadas.
O momento foi registrado pela equipe do programa “Expedition Unknown”, do Discovery Channel. Nas imagens divulgadas nesta terça-feira, é possível ouvir a reação dos pesquisadores quando a silhueta do avião aparece na tela.
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Fonte: G1