quinta-feira, 30, julho , 2026 05:20

'Intensidade de bomba atômica', 'pior crise desde a 2ª Guerra': a luta da Europa para conter incêndios devastadores


Imagem de satélite mostra fumaça de incêndio em Andernos-les-Bains, em Gironde, na França, em 24 de julho de 2026.
Vantor/Divulgação via Reuters
A temporada de incêndios florestais que assola a Europa já é a maior da história da França e da Espanha, e as novas ondas de calor previstas para esta semana mantêm as autoridades em alerta.
Após duas semanas de incêndios em áreas rurais, florestais e urbanas, a Espanha já perdeu mais de 150 mil hectares de vegetação para as chamas, segundo o governo.
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Na França, os incêndios florestais já destruíram mais de 116 mil hectares desde o início do verão europeu de 2026.
O presidente da França, Emmanuel Macron, classificou a situação como uma das mais graves enfrentadas pelo país.
“A situação que enfrentamos hoje é a mais difícil de que se tem registro, a mais grave desde a Segunda Guerra Mundial”, disse durante visita à região de Bordeaux. Segundo ele, os incêndios são “totalmente inéditos”.
O avanço do fogo já obrigou cerca de 220 mil franceses a deixarem suas casas. Na Espanha, mais de 330 mil moradores foram evacuados desde o início da onda de incêndios.
As altas temperaturas voltaram a subir nesta quarta-feira (29), aumentando o risco de novos focos. Na Espanha, os termômetros devem chegar a 40°C em pelo menos seis regiões. Na França, a previsão é de até 42°C no sudoeste do país, onde ventos secos podem intensificar as chamas.
Especialistas afirmam que as mudanças climáticas agravaram a intensidade dos incêndios neste ano. “Entramos em uma era de incêndios que não podem ser controlados”, afirmou Víctor Resco de Dios, professor de engenharia florestal e mudanças globais da Universidade de Lleida, na Espanha, em entrevista à CNN Internacional.
“São incêndios que queimam com a intensidade de várias bombas atômicas”, acrescentou.
Segundo o professor de física da Universidade de São Paulo (USP), Emerson Júnior, tanto a detonação de uma bomba nuclear quanto um grande incêndio florestal liberam grandes quatidades de energia, o que gera a comparação de grandeza dos desastres.
Ainda asism, ele faz a distinção de que os incêndios se espalham por áreas grandes e emitem energia de forma contínua. Já as bombas emitem uma enorme quantidade de energia concentrada rapidamente em uma área relativamente pequena.
“Um incêndio que se espalhe por cerca de um quilômetro quadrado ao longo de aproximadamente uma hora pode liberar algo em torno de 10% da energia da bomba de Hiroshima. Se esse incêndio atingir uma área de cerca de 10 quilômetros quadrados, a energia total liberada pode se aproximar da energia liberada pelo explosivo”, explica.
Moradores e bombeiros trabalham para combater incêndio florestal em Formariz, na província de Zamora, na Espanha, em 29 de julho de 2026
Umit Bektas/Reuters
“Os turistas podem ir embora, mas aqui é nossa casa”
Apesar de uma melhora nas condições durante a noite, as autoridades francesas e espanholas alertam que os incêndios ainda estão longe de serem controlados. A nova onda de calor e os ventos previstos para esta semana podem favorecer o surgimento de novos focos e acelerar o avanço das chamas.
Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez afirmou que as próximas horas seriam decisivas para conter os incêndios. Na França, o comandante dos bombeiros Matthieu Jomain afirmou que o maior incêndio, a oeste de Bordeaux, permanece estável, mas ainda não foi controlado.
“Neste momento, a situação está estável, mas o incêndio ainda não está sob controle”, afirmou Jomain. “Continuamos vigilantes, é claro, hoje, considerando as condições meteorológicas previstas, com um novo aumento nas temperaturas e ventos mais fortes à tarde.”
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Na região de Bordeaux, moradores e voluntários se mobilizaram para ajudar as equipes de emergência. Um grupo de operários levou um caminhão-tanque com capacidade para 12 mil litros de água para abastecer os veículos dos bombeiros.
“É hoje que estamos com medo”, disse o voluntário Jérémy Presi. “Eles, os turistas, podem entrar no carro e ir embora. Aqui é a nossa casa.”
O tenente dos bombeiros Cyril Venière alertou que, mesmo quando as chamas forem extintas, o incêndio poderá continuar ativo no subsolo. “O fogo continuará queimando sob a superfície durante semanas, talvez até anos”, afirmou.
“A situação piora a cada ano”
Enquanto parte da população começa a retornar para casa, milhares de pessoas ainda permanecem fora das áreas afetadas. Na Espanha, cerca de 24 mil moradores já receberam autorização para voltar, enquanto outras seguem sob ordens de confinamento preventivo.
Em muitas cidades, porém, o retorno foi marcado pela destruição. Em Pelayos de la Presa, perto de Madri, o aposentado José Fernández encontrou apenas cinzas onde antes ficava sua casa.
“Não tenho dinheiro, não tenho documentos, não tenho casa”, disse à AFP. “Ficou tudo ali”, lamentou, enquanto caminhava pelos restos carbonizados da residência.
Em Navaluenga, Magaly Vargas voltou ao camping onde morava e encontrou apenas escombros. “Aqui era onde eu morava”, disse. “Não sobrou nada. É terrível.”
A coproprietária do camping, Maria Angeles Cañete, também perdeu tudo. “Perdemos tudo. Não temos mais nada”, afirmou. O prefeito de Pelayos de la Presa, Antonio Sin, resumiu o cenário: “Foi um incêndio horrendo, brutal. É um monstro que nos atropelou.”
Outros moradores encontraram suas casas preservadas. Em Aldea del Fresno, Susana Barrul comemorou o retorno. “Estamos felizes por voltar. Estamos tentando retomar a normalidade”, disse.
Já em Navas del Rey, Maria Paz Bolaños atribuiu a sobrevivência de sua casa a um milagre. “Vivemos aqui há 50 anos. Deve ter sido meu avô, meu pai no céu. De alguma forma, fizeram com que o fogo chegasse até aqui e parasse exatamente neste ponto.”
Na França, dezenas de milhares de pessoas também começaram a voltar para cidades próximas de Bordeaux. Outras seguem em abrigos improvisados. Morgane Bonichot deixou a casa durante a madrugada após receber um alerta no celular.
“Saímos simplesmente assim”, contou. “Meu carro estava quebrado, então os vizinhos tiveram que me levar com minha filha e os animais.”
Ela agora está em um centro de exposições transformado em abrigo temporário. “O que mais me angustia é pensar no futuro, porque a situação piora a cada ano”, afirmou. “Isso vai se tornar uma catástrofe.”‘Intensidade de bomba atômica’, ‘pior crise desde a 2ª Guerra’: a luta da Europa para conter incêndio devastador.
Com informações de Reuters, AFP e RFI.
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Fonte: G1