
Relatório aponta doutrina de Trump para América Latina como risco para 2026
O Departamento de Estado dos Estados Unidos publicou nesta terça-feira (11) um vídeo em que afirma que o domínio do país em toda a América “nunca mais será questionado”. A publicação apresenta um histórico da Doutrina Monroe, estratégia usada pelos EUA para influenciar o continente.
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A publicação foi feita em um momento em que os EUA têm demonstrado apoio à direita na América Latina. Trump, por exemplo, apoiou aliados de Javier Milei nas eleições legislativas da Argentina de 2025, além de Abelardo de la Espriella, eleito presidente da Colômbia neste ano.
No vídeo desta terça-feira, o Departamento de Estado citou a operação que capturou o ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, como o exemplo mais recente da aplicação da doutrina norte-americana no continente.
Segundo a gravação, a ação dos EUA enviou um “forte sinal a todo o hemisfério”. Maduro foi levado para território norte-americano para responder a acusações de narcoterrorismo e está preso em uma penitenciária de Nova York.
O que foi a Doutrina Monroe?
Criada em 1823 pelo presidente norte-americano James Monroe, a Doutrina Monroe foi um tipo de política criada pelos Estados Unidos que estabelecia limites na interferência de países europeus no ocidente.
Na prática, a doutrina defendia a ideia de “América para os americanos” e buscava impedir que as potências europeias recuperassem influência no continente. Em contrapartida, os EUA afirmavam que não interfeririam nas questões internas das colônias europeias que ainda existiam nas Américas.
“A Doutrina Monroe moldou a política externa dos EUA por mais de dois séculos. O domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado”, diz a legenda da publicação de feita nesta terça.
A postagem ainda apresenta a captura de Maduro como parte da política praticada e diz que a doutrina segue sendo a “pedra angular” da estratégia dos EUA no hemisfério.
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A Doutrina Donroe
Em dezembro do ano passado o governo Trump divulgou sua nova estratégia de segurança nacional, e junto a ela vinha a intenção de retomar sua influência na região para conter o avanço de potências de outros continentes.
“Depois de anos de abandono, os Estados Unidos reafirmarão e aplicarão a Doutrina Monroe para restaurar a proeminência americana no hemisfério ocidental”, dizia o documento.
Essa nova investida do governo norte-americano nas américas foi chamada pelo jornal The New York Times de “Doutrina Donroe”, uma combinação dos nomes Donald e Monroe.
O documento afirma que o realinhamento militar na América Latina se baseará em três elementos principais:
ampliar a presença da Guarda Costeira e da Marinha para controlar rotas marítimas, combater imigração ilegal e reduzir o tráfico de drogas e de pessoas;
reforçar a proteção das fronteiras e intensificar o combate aos cartéis de drogas, incluindo o uso de força letal em alguns casos;
estabelecer ou ampliar o acesso dos EUA a locais considerados estratégicos na região.
A estratégia diz ainda que os EUA buscam “reafirmar e aplicar a Doutrina Monroe para restaurar a predominância americana no Hemisfério Ocidental’, com uma “retomada poderosa” da influência sobre a região. O foco seria o combate ao avanço chinês pela região.
Ditaduras ignoradas
No vídeo, ao contar a história da doutrina, o Departamento de Estado passa por diferentes episódios da atuação americana na América Latina.
Um dos casos citados é o do Panamá. O vídeo afirma que, em 1903, os Estados Unidos apoiaram a independência panamenha da Colômbia e conseguiram um acordo para construir, operar e defender o Canal do Panamá.
O vídeo também cita a crise dos mísseis de Cuba, em 1962. Segundo a publicação, o então presidente John F. Kennedy recorreu à Doutrina Monroe após a descoberta de mísseis soviéticos na ilha.
O histórico apresentado pelo Departamento de Estado, no entanto, deixa de fora intervenções americanas na América Latina que contribuíram para levar diversos países da região a regimes ditatoriais no século 20.
O presidente dos EUA, Donald Trump, durante um evento para assinar uma ordem executiva sobre flexibilidade na vacinação em 10 de agosto de 2026
Kylie Cooper/Reuters
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Fonte: G1



