quinta-feira, 13, agosto , 2026 08:12

Casal contrata barriga de aluguel, muda de ideia e exige aborto

Na vigésima semana de gravidez, um exame revelou que o bebê tinha um defeito grave no coração, do tipo que se corrige com cirurgia depois do nascimento. Do outro lado de uma chamada de vídeo, o casal que havia “encomendado’ a criança tomou sua decisão: queria que ela fosse abortada. O contrato do serviço conhecido como barriga de aluguel previa a hipótese, numa cláusula de aborto sob demanda. Mas a mulher contratada apenas para gestar o menino recusou-se a deixá-lo morrer, e nessa recusa expôs a contradição que sustenta um sistema que trata a criança como produto encomendado.

A disputa corre nos tribunais dos Estados Unidos e ganhou o noticiário nos últimos dias. McKenna West, enfermeira e mãe solteira de dois filhos no Alasca, engravidou como barriga de aluguel de um casal da Califórnia, identificado nos autos apenas como A.B. e C.D. Em abril, o ultrassom morfológico apontou que o bebê, chamado Gabriel, tinha síndrome do coração esquerdo hipoplásico, um defeito congênito severo, fatal se não tratado, mas corrigível por uma sequência de cirurgias após o parto.

Diante do diagnóstico, o casal acionou a cláusula de aborto sob demanda e exigiu a interrupção. Quando médicos do Alasca se recusaram a fazer o aborto tardio, os pais biológicos pediram que ela viajasse a Seattle para o procedimento e ameaçaram processá-la em US$ 250 mil caso recusasse. West não cedeu. Ofereceu-se para assumir sozinha a responsabilidade pela criança e isentar o casal de qualquer obrigação; depois, propôs abrir mão de todo direito parental se eles garantissem as cirurgias. As duas ofertas foram rejeitadas. Ela então deixou o Alasca rumo ao Texas, onde procura um hospital com estrutura para operar o menino, e entrou na Justiça pedindo a guarda para poder autorizar a cirurgia quando necessária.

O casal, contudo, contesta a versão dela. Afirma que West distorce a realidade médica e age por dinheiro, e aponta que ela se recusou a fazer uma amniocentese, exame importante para identificar alterações genéticas ainda na etapa do acompanhamento pré-natal. A briga envolve o contrato, a definição de quem são os pais legais e quem tem autoridade para decidir sobre o tratamento, com o parto previsto para os primeiros dias de setembro.