quinta-feira, 13, agosto , 2026 01:22

Eutanásia: os horrores de hoje serão o normal de amanhã?

Crônica de uma morte anunciada, mas não buscada. Brigitte Stegemann tinha 83 anos e, nos últimos dois anos, esteve hospedada em uma instituição para idosos em Ontário, no Canadá. Há cinco meses, ela foi diagnosticada com um câncer de estômago em estágio IV. No último dia 10 de julho, Brigitte morreu por eutanásia, embora ela mesma a tivesse sempre recusado. A crônica dos dias anteriores à sua morte é esclarecedora para entender como a eutanásia não é uma proposta, mas a solução imposta para aquelas vidas que agora são consideradas inúteis, sem sentido, existências que não podem mais ter lugar em um mundo eficientista e incapaz de ter compaixão.

No blog da Coligação para a Prevenção da Eutanásia, a família de Brigitte, chamada afetivamente de GG pelos parentes, contou os seus últimos dias. Um relato – reproduzido por alguns meios de comunicação italianos e estrangeiros – que fala por si só. “Cerca de dois meses antes da morte de GG – conta a família – realizou-se uma reunião para discutir a possibilidade de recorrer à eutanásia assistida. Naquela ocasião, GG declarou claramente que não queria prosseguir nesse sentido. Como fervorosa cristã, expressou explicitamente que a eutanásia assistida estava em contradição com suas convicções pessoais e com sua fé”. Apesar dessa sua oposição, os médicos, inclusive na ausência de sua neta, sua representante legal, tentaram em várias ocasiões extorquir-lhe o consentimento para a eutanásia.

Em um dia pouco anterior à sua morte, os familiares foram visitar GG e a encontraram muito abatida, frequentemente ausente, com o olhar perdido no vazio e com notáveis dificuldades de compreensão, também por conta de uma surdez relevante que a afligia. Os familiares suspeitam até hoje que essa falta de lucidez possa ter sido induzida pela administração de alguns medicamentos.

Em 6 de julho de 2026, a instituição organizou outro encontro, no qual também estiveram presentes alguns familiares da avó, para discutir novamente a opção da eutanásia. Durante o encontro e enquanto aguardavam a chegada da médica responsável, a neta Brigitte perguntou a uma enfermeira ali presente o motivo desse segundo encontro e das conversas que a equipe médica tinha tido com a avó a fim de persuadi-la a escolher a eutanásia, dado que ela mesma, de modo muito claro, já tinha esclarecido que recusaria qualquer procedimento eutanásico. A enfermeira foi capaz apenas de responder com estas palavras: “Não preciso lhe dizer nada”.