quinta-feira, 20, agosto , 2026 10:08

Polícia Civil investiga intolerância religiosa em concurso no RS


A Polícia Civil do Rio Grande do Sul iniciou um inquérito para investigar possíveis casos de intolerância religiosa durante a aplicação do concurso público da Polícia Penal do Estado. As denúncias foram feitas por duas candidatas que participaram da prova em Porto Alegre, no dia 9 de agosto.

O que aconteceu

As candidatas relataram constrangimentos relacionados ao uso de vestimentas religiosas e aos procedimentos de fiscalização. O caso está sendo conduzido pela Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância (DPCI), em Porto Alegre. O delegado Vinicius Nahan, responsável pela investigação, afirmou que o objetivo é verificar se as abordagens realizadas estavam dentro das regras estabelecidas para o concurso ou se ultrapassaram os limites da fiscalização, configurando discriminação religiosa.

Relatos das candidatas

Um dos relatos envolve uma candidata que usava um turbante por motivos religiosos. Segundo o registro apresentado à polícia, ela já estava acomodada na sala de prova quando foi chamada por uma fiscal para verificar a situação do acessório. A candidata afirmou que recebeu a possibilidade de retornar e continuar o exame, mas não se sentiu emocionalmente capaz de prosseguir. Ela também queria fazer uma ligação telefônica, mas foi alertada de que o uso do celular poderia resultar em sua eliminação. A Brigada Militar foi acionada e a candidata compareceu a uma delegacia acompanhada por uma representante da Fundatec, empresa responsável pela organização do concurso.

O segundo caso envolve uma candidata muçulmana que utilizava o hijab. De acordo com o registro policial, ela passou inicialmente por uma revista realizada por fiscais mulheres e foi autorizada a entrar no local de prova. No entanto, aproximadamente duas horas após o início do exame, ela foi abordada novamente e levada ao banheiro para uma nova revista.

Próximos passos da investigação

A investigação da DPCI deverá analisar até que ponto as regras previstas no edital interferem na manifestação religiosa dos candidatos e se houve, de fato, uma conduta discriminatória. O desfecho do inquérito poderá trazer esclarecimentos sobre a aplicação das normas do concurso e a proteção dos direitos dos candidatos em relação à sua liberdade religiosa.



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