sábado, 22, agosto , 2026 07:55

Saliva pode dar pistas sobre câncer de intestino

A composição do microbioma da boca e do intestino pode conter sinais associados ao câncer de estômago e ao câncer colorretal, o que, no longo prazo, poderá levar ao desenvolvimento de novos exames menos invasivos para sua detecção.

Um estudo liderado pela Universidade de Seul e publicado na revista especializada Cell Host & Microbe investigou se microrganismos da cavidade oral chegam ao trato gastrointestinal e permanecem nele de forma diferente em pessoas com câncer.

Os pesquisadores recrutaram 507 voluntários para doar amostras da boca e de fezes. O grupo incluía 129 pessoas saudáveis; 215 com distúrbios metabólicos, como hipertensão, diabetes tipo 2 ou hiperlipidemia; 77 com câncer gástrico; e 86 com câncer colorretal.

Índice para detectar câncer

A equipe utilizou sequenciamento genético para criar um índice boca-fezes (MF), que mede até que ponto variantes idênticas de sequências microbianas são encontradas tanto em amostras orais quanto fecais de uma mesma pessoa.

Em seguida, os pesquisadores avaliaram a capacidade do índice MF de diferenciar pacientes com câncer de pessoas saudáveis. A análise revelou que esse índice estava significativamente mais elevado em indivíduos com câncer gástrico ou colorretal, mas não em pessoas com distúrbios metabólicos.

Essa associação permaneceu consistente mesmo após levar em consideração fatores como consumo de álcool, prática regular de exercícios físicos e índice de massa corporal (IMC).

A presença de bactérias associadas à cavidade oral no intestino de pacientes com câncer “não foi totalmente inesperada”, afirmou a pesquisadora Sun Ha Jee, da Universidade Yonsei e uma das autoras do estudo.

O que a equipe não previa era a forma como o sinal variava entre os diferentes grupos de doenças, o quanto ele poderia ser detectado apenas em amostras da boca e até que ponto dependia da maneira como as características microbianas eram representadas, acrescentou a pesquisadora.

Mais sensível que atual teste

A equipe também comparou as assinaturas microbianas encontradas nos pacientes com câncer com os resultados dos testes de sangue oculto nas fezes, uma ferramenta padrão para rastreamento do câncer colorretal. Os pesquisadores observaram uma sensibilidade maior nas amostras bucais coletadas por meio de enxaguante bucal.

Os pesquisadores pretendem realizar um estudo para validar prospectivamente as descobertas em pessoas que ainda não receberam diagnóstico de câncer, além de incorporar um sequenciamento metagenômico de maior resolução.

Além disso, eles irão investigar a relação de causa e efeito, ou seja, se o aumento da troca de microrganismos entre a boca e o intestino contribui para o desenvolvimento do câncer, se o câncer cria condições que permitem que bactérias da boca permaneçam no trato gastrointestinal ou se ambos os fatores estão envolvidos.

Antes que esses resultados possam ser utilizados na prática clínica, serão necessários estudos clínicos em populações reais submetidas a programas de rastreamento. Caso os achados sejam validados, o próximo passo será desenvolver um teste não invasivo, afirmou o pesquisador Tae Il Kim, da Universidade Yonsei.

noticia por : UOL