sexta-feira, 28, agosto , 2026 07:27

Nepal manda socorristas se protegerem após novo risco

As autoridades do Nepal ordenaram nesta sexta-feira (28) que as equipes de resgate que procuram sobreviventes das inundações fatais se protejam, após o rompimento, no Tibete, de um lago formado pelo recente deslizamento, aumentando o risco de novas enxurradas.

As equipes de emergência recuperaram 474 corpos depois que, na quarta-feira (26), uma massa de água gelada e lama semelhante a um tsunami avançou sobre a região, soterrando casas, derrubando pontes e arrastando veículos tanto no Nepal como no Tibete.

Mais de 1.400 pessoas estão desaparecidas, entre elas centenas de turistas que visitavam o Himalaia e dezenas de peregrinos hindus que seguiam para o sagrado monte nevado tibetano Kailash.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos informou que o desastre foi causado pelo colapso de uma geleira, que desencadeou um enorme fluxo de água gelada e sedimentos.

As mudanças climáticas estão provocando o derretimento dessas massas de gelo em todo o mundo, o que aumenta o risco de inundações causadas pelo colapso de geleiras.

A torrente de gelo e lama também formou enormes acúmulos de água. Um deles cedeu nesta sexta no Tibete, colocando em risco as equipes que fazem buscas na região.

Por isso, a polícia nepalesa pediu a todos os socorristas que “se coloquem imediatamente em segurança”.

A mídia estatal chinesa afirmou que o risco de inundações associado a um lago estava “diminuindo gradualmente”, depois que o nível da água baixou cerca de dez metros desde o dia anterior. Segundo os veículos, as operações de resgate “prosseguem de forma organizada”.

Ainda não está claro se esse é o mesmo lago mencionado pelas autoridades nepalesas.

Enquanto isso, o presidente chinês, Xi Jinping, presidiu uma reunião de altos dirigentes sobre as operações de resgate e ofereceu ajuda ao vizinho Nepal.

“Ainda existem muitos perigos ocultos relacionados a geleiras, lagos glaciais e desastres geológicos na região, e os trabalhos de resgate enfrentam grandes dificuldades”, afirmaram na reunião integrantes do Politburo do Partido Comunista Chinês, segundo a agência estatal de notícias Xinhua.

Os serviços de emergência continuam correndo contra o tempo para localizar sobreviventes nas áreas devastadas, onde alimentos e água potável começam a ficar escassos.

O Exército nepalês localizou várias pessoas presas no túnel de um projeto hidrelétrico.

“Foram enviados dois helicópteros, mas é um desafio, porque é difícil até mesmo localizar as entradas do túnel”, disse à AFP o porta-voz militar Raja Ram Basnet.

Ele acrescentou que cerca de 350 trabalhadores e moradores daquela instalação foram levados para um local seguro, mas prosseguem os esforços para salvar aproximadamente 100 pessoas que ainda estão presas.

Trabalhadores resgatados no vale do Trishuli descreveram uma catástrofe que se desenrolou com uma rapidez assustadora.

“Sobrevivi porque estava no túnel”, contou Buddha Tamang, retirado de helicóptero na quinta-feira (27) após permanecer isolado por mais de 24 horas.

“Os responsáveis de alto escalão que trabalhavam do outro lado foram arrastados pela correnteza”, acrescentou.

Em um hospital improvisado no Nepal, os sobreviventes enfrentam uma espera angustiante por notícias de seus entes queridos desaparecidos.

Kula Priya disse que perdeu tudo quando a avalanche atingiu a região, incluindo seu filho mais velho, com quem perdeu contato.

“Não me importo com bens materiais. Só quero que meu filho volte. Se algum de vocês puder resgatar meu filho, por favor, faça isso por mim”, disse.

A polícia nepalesa informou um total de 469 mortos.

Na Índia, as autoridades informaram ter recuperado sete corpos de rios que nascem no Nepal. Acredita-se que sejam vítimas das inundações.

Outras 910 pessoas, entre elas 517 turistas estrangeiros, continuam desaparecidas no Nepal.

No Tibete, onde as autoridades chinesas são as únicas fontes de informação, os funcionários divulgaram nesta sexta um novo balanço de cinco mortos e 558 desaparecidos.

Dezenas de devotos hindus de todo o mundo estão entre as centenas de desaparecidos na fronteira, já que muitos faziam uma peregrinação ao monte Kailash, no lado chinês.

Logadarrsiny Raman, de 26 anos, da Malásia, disse que seus pais, sua tia e seu tio participavam de uma peregrinação, mas que perdeu contato com eles.

Raman afirmou que a agência de viagens lhe informou que o último contato com o grupo de 17 malaios ocorreu às 8h18, no horário do Nepal, quando eles seguiam em direção à fronteira entre Nepal e China.

Pouco depois, a inundação atingiu a área onde eles estavam. “Estou muito preocupada”, disse à AFP. “Minha única esperança é receber notícias deles e saber que estão em segurança.”

noticia por : UOL