sábado, 29, agosto , 2026 08:58

O papel de Santa Mônica na jornada de fé de Santo Agostinho

“Tinha sido esposa de um só homem, tinha pago sua dívida aos pais, tinha governado santamente a sua casa, tinha o testemunho das boas obras, tinha criado seus filhos partindo-os tantas vezes quantas os via afastar-se de ti”. Assim Santo Agostinho de Hipona (de quem hoje se celebra a memória litúrgica) descreve sua mãe, Santa Mônica, em seu texto mais famoso, as Confissões. Palavras que delineiam uma mulher já santa em vida.

Mônica e Agostinho, uma mãe e um filho: assim se poderia simplesmente ler a história deles. Mas tratou-se de uma relação certamente diferente das outras: “entrou em jogo”, de fato, algo maior, mais alto, mais profundo. Mas é preciso ir por partes. Antes de tudo, é necessário compreender o meio no qual Agostinho cresceu. É ele mesmo quem escreve, sempre nas Confissões, o livro que tomaremos como “guia” para contar a relação deles. E para explicá-la pode-se e deve-se partir de Cristo, daquele nome transmitido diretamente pela voz da mãe: “Aquele nome, por tua misericórdia, Senhor, aquele nome do meu Salvador, do teu Filho, meu coração ainda tenro havia devotamente sugado no próprio leite da mãe e o conservava em seu íntimo”. Imagem poética, forte, profunda.

Um dado, porém, deve ser destacado. Um dado que pareceria, em um primeiro momento, representar uma lacuna na educação dada por Mônica: estamos falando daquele “famoso” batismo não realizado. Por que Agostinho não é batizado imediatamente? Para esta pergunta há uma resposta “histórica”: na Igreja de Tagaste havia o costume de tornar o recém-nascido catecúmeno, mas para o sacramento do batismo devia-se esperar que o mesmo estivesse na idade adulta. Agostinho, a esse respeito, no entanto, nos conta em suas páginas autobiográficas sobre um batismo “interior” que, de qualquer forma, havia recebido. Obviamente, graças à educação cristã da mãe: “Ouvira falar desde menino da vida eterna, que nos foi prometida mediante a humildade do Senhor nosso Deus, que desceu até a nossa soberba; e já estava assinalado com o sinal da sua cruz, já temperado com o seu sal desde o dia em que saí do ventre de minha mãe”. Assinalado com o sinal da cruz: mais uma vez usa uma imagem profunda para narrar sua relação com Deus. Sabemos bem que o sacramento do batismo lhe foi, depois, ministrado muito mais tarde: na noite entre 24 e 25 de abril de 387 em Milão, por Santo Ambrósio, inclusive, outra figura-chave do seu retorno à fé cristã.

É sabido que no processo de retorno à fé, a mãe foi fundamental instrumento de Deus. Também neste caso devemos recorrer novamente às Confissões. Um trecho, em particular, nos indica bem a hipérbole deste processo interior. Devemos, antes de tudo, remontar ao período em que ele vivia na casa paterna. Às origens: “Então eu me tornara crente, como minha mãe e toda a casa, exceto apenas meu pai. Este, porém, não prevaleceu no meu coração sobre os direitos do amor materno a ponto de me tirar a fé em Cristo, fé que ele então não tinha. Ela se empenhava para fazer de ti, meu Deus, o meu pai em seu lugar, e tu a ajudavas a prevalecer sobre o marido, a quem também servia, embora fosse melhor que ele, porque também nisso servia a ti, cumprindo o teu mandamento”. Deste trecho, portanto, compreende-se desde logo a relação que o futuro bispo de Hipona teve com a mãe. O pai parece ter uma relevância certamente “secundária”, não compartilhando com os dois a fé cristã. A frase-chave é: “Ela se empenhava para fazer de ti, meu Deus, o meu pai em seu lugar”. Agostinho tinha, portanto, já um pai: um Pai nos céus, graças justamente à educação da santa. Por “dever de ofício”, o marido, Patrício, graças à oração da esposa Mônica, converteu-se também ele ao cristianismo, um ano antes de morrer.